Solar

Tunelamento quântico permite gerar energia a partir de radiação desperdiçada

Thursday, 22 de February de 2018

 Tunelamento quântico permite gerar energia a partir de radiação desperdiçada

Um grupo de cientistas da Universidade de Ciências e Tecnologia do Rei Abdullah, na Arábia Saudita, descobriu uma forma de transformar a energia desperdiçada que chega à Terra em forma de radiação infravermelha e calor em eletricidade.

A inovação agora descoberta só é possível graças ao tunelamento quântico, um dos fenômenos mais estranhos da mecânica quântica. Os resultados foram publicados em novembro na revista Materials Today Energy.

A chave para a ideia é uma antena especialmente projetada para detectar o desperdício ou o calor infravermelho como ondas eletromagnéticas de alta frequência, transformando esses sinais de onda em uma carga direta.

Há muita energia chegando à Terra todos os dias, e não usamos grande parte dela. A maioria desse desperdício vem na forma de luz solar que atinge o planeta e é absorvida pelas superfícies, oceanos e pela atmosfera. O aquecimento leva a um vazamento constante de radiação infravermelha que, estima-se, está na casa dos milhões de gigawatts a cada segundo.

O problema é que os comprimentos de onda infravermelhos são muito curtos. Para aproveitá-los, são necessárias antenas super pequenas. De acordo com a equipe internacional de cientistas responsável pelo novo estudo, a solução está no tunelamento quântico.

“Não há nenhum diodo comercial no mundo que possa operar em alta frequência. É por isso que nos viramos para o tunelamento quântico”, diz o líder da pesquisa, Atif Shamim.

O tunelamento quântico é um fenômeno bem estabelecido na física quântica, no qual uma partícula pode atravessar uma barreira mesmo sem ter energia suficiente para isso.

Um dos exemplos usados ​​mais frequentemente é o de uma bola que desce uma colina: na física clássica, a bola precisa de uma certa quantidade de energia a impulsioná-la para subir a colina e chegar ao outro lado.

Na física quântica, no entanto, a bola pode atravessar a colina com menos energia, graças à incerteza do posicionamento, o coração de tudo que é quântico.

Esse “atalho” permite que os elétrons sejam movidos por uma pequena barreira, através de um dispositivo de tunelamento como um diodo metal-isolador-metal (MIM), que transforma as ondas infravermelhas em corrente ao longo do caminho.

Os cientistas conseguiram criar uma nova nanoantena emparelhando um filme de isolamento fino entre dois braços metálicos ligeiramente sobrepostos feitos de ouro e titânio.

O aparelho foi capaz de gerar os campos elétricos intensos necessários para o trabalho de tunelamento. “A parte mais desafiadora foi a sobreposição de nanoescala dos dois braços da antena, o que exigiu um alinhamento muito preciso”, diz Gaurav Jayaswal. “No entanto, ao combinar truques inteligentes com as ferramentas avançadas na instalação de nanofabricação, realizamos esse passo”.

Ao escolher metais com diferentes funções, o novo diodo conseguiu capturar as ondas infravermelhas com zero tensão aplicada, uma função passiva que liga o dispositivo apenas quando necessário. Experiências com exposição ao infravermelho revelaram que a energia foi recolhida com sucesso apenas vinda da radiação, e não de efeitos térmicos.

Em comparação com os painéis solares, que só captam uma parte da luz visível, ser capaz de aproveitar todo o excesso de radiação infravermelha representaria uma mudança revolucionária na produção de energia.

Além disso, ao contrário das usinas de energia solar, esses coletores de energia podem operar sem interrupções, independentemente do clima.

Apesar disso, este é apenas mais um passo no caminho para desenvolver a tecnologia que deve revolucionar a produção de energia – outros cientistas trabalham em outros ângulos da questão. Os pesquisadores dizem que muitos desafios técnicos ainda estão pela frente – atualmente, a antena não é muito eficiente em termos de energia, por exemplo.

“Este é apenas o começo – uma prova de conceito”, diz Shamim. Eventualmente, porém, a técnica poderia fazer uma grande diferença. “Poderíamos ter milhões desses dispositivos ligados para aumentar a geração de eletricidade do planeta”, acrescenta.



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