Solar

SP terá 60 ônibus movidos a energia solar circulando ainda em 2017

Sunday, 30 de July de 2017

SP terá 60 ônibus movidos a energia solar circulando ainda em 2017

A capital paulista deve começar a operar, ainda neste ano, 60 ônibus elétricos, abastecidos com energia solar. Eles vão circular por linhas que fazem percursos no centro e na zona leste da cidade.

São veículos que rodam 300 quilômetros com uma carga de duas horas. Fazem mais de 60 km com um litro de combustível. Uma das ideias é que os ônibus se tornem um "laboratório" dos veículos não poluentes, que serão gradualmente exigidos pela Prefeitura na próxima licitação do sistema de transportes da cidade, cujo edital deve ser lançado no mês que vem.

O prefeito João Doria (PSDB) esteve na fábrica da empresa BYD, construtora dos veículos, em Shenzhen, na China, onde está em visita oficial. A BYD tem subsidiária em Campinas, a 97 quilômetros da capital. Doria conheceu não só os ônibus elétricos como também carros e até um monotrilho desenvolvido pela empresa.

"Estivemos com um dos operadores de Shenzhen, que tem 5 mil ônibus e 100% da frota com ônibus elétricos", disse o secretário municipal de Transportes, Sergio Avelleda. "Estamos sendo desafiados a montar a equação financeira para a paulatina substituição dos ônibus em São Paulo por veículos mais eficientes", disse. "Nós queremos que, nos próximos contratos, os operadores tenham por meta, anualmente, reduzir a emissão de gases que provocam doenças respiratórias e efeitos no clima global", afirmou.

Avelleda vem acompanhando as negociações entre a BYD e a viação Ambiental, interessada no modelo. Para a São Paulo Transporte (SPTrans), a questão é financeira. Como todos os operadores da cidade têm sua remuneração calculada a partir dos custos de operação, combustível incluído, será preciso formatar um modelo que inclua a energia elétrica no valor pago aos empresários.

A Ambiental opera a frota de trólebus elétricos da cidade, de cerca de 200 veículos, mas conta com mais 60 ônibus a movidos diesel. Serão esses os veículos trocados. Os painéis solares, que ficarão no teto das garagens, vão abastecer apenas esses veículos. Os trólebus continuam a rodar com energia retirada da rede elétrica comum, que atende a cidade.

O ônibus elétrico custa cerca de R$ 1,2 milhão, o dobro do preço de um ônibus comum, sendo que mais da metade desse valor é da bateria, que tem durabilidade de 30 anos. A empresa tenta emplacar no Brasil um modelo de negócio que prevê por parte dos operadores a compra apenas do ônibus, sem a bateria, e a locação ou o leasing das células de energia, de modo que o que antes era gasto com o diesel pague o leasing da bateria em cinco anos.

"A trajetória do preço do petróleo é de aumento muito maior do que o da energia", disse um dos representantes da BYD, Adalberto Maluf. "Mas o que oferecemos é um contrato de 10 anos com preço estável. Daqui a pouco tempo, você tem menos pressão para o aumento (dos custos e, consequentemente, da tarifa)."

Shenzhen. A cidade de Shenzhen, sede da BYD, tem 20 milhões de habitantes e cerca de 14 mil ônibus (número parecido com o da capital paulista), mas 85% dos coletivos já são elétricos. Foi o quarto e último destino do prefeito Doria em sua viagem à China.

A diferença da cidade para outros destinos do prefeito, como a capital Pequim, é vista no horizonte. Neste verão chinês, em uma semana sem chuvas, a nuvem de poeira ao redor da capital chinesa é ainda mais escura do que a da capital paulista. Mas em Shenzhen, com seus ônibus elétricos, o horizonte tem um aspecto menos poluído. Ajuda também o fato de que a cidade, planejada, tem vasta vegetação intercalada com seus arranha-céus de vidro iluminados com neon.

A licitação dos ônibus em São Paulo não fará exigência direta a nenhum tipo de combustível limpo. Trará apenas as metas de redução da emissão de poluentes. Aí, cada um dos operadores é que decidirá quais veículos utilizará para começar a reduzir a meta. A proposta da Prefeitura é que, atingindo as metas - o que incluirá outras exigências, como redução das reclamações - maior será a remuneração que os operadores vão receber.

Doria ‘passa o chapéu’ em viagem à China

Em uma semana na China, o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB) não passou 24 horas sem receber doações de empresários para a cidade. Foram câmeras de segurança, drones, equipamentos para aulas digitais e, nesta quinta-feira, 27, painéis solares e carros elétricos.

São doações decididas ali, na hora, em reuniões com empresários interessados em ter São Paulo como potencial cliente. Doria aproveita o cargo de “prefeito da maior cidade do Brasil”, sua posição de presidenciável, exposição na imprensa e a experiência em negociação para arrancar um “sim” para seus pedidos.

Na BYD, a conversa foi com o CEO, Wang Chuan-fu, que já foi o homem mais rico da China - até passar a fazer doações de sua fortuna pessoal só para sair do ranking. É uma estrela chinesa, um dos primeiros a surfar na abertura comercial do País, reconhecido por ter enriquecido por seu próprio mérito e suas invenções.

"Para que ele (Chuan-fu) tenha certeza disso (que a doação trará visibilidade à empresa)", continuou Doria, "podemos começar hoje", disse, ciente do efeito que uma pergunta feita de surpresa gera em qualquer um. "Temos 10 jornalistas, dos principais meios de comunicação do Brasil, que nos acompanham nessa viagem. Um anúncio feito aqui já será objeto de cobertura de televisões, jornais, revistas, rádios e sites automaticamente", afirmou. Na realidade, são sete jornalistas e um repórter-cinematográfico acompanhando o prefeito na China.

O pedido continua. "Uma das marcas da nossa gestão, além da inovação e tecnologia, é velocidade. Velocidade para tomar decisões e realizá-las, exatamente como no setor privado", disse. "Com isso, encerro nossa intervenção e, antes de exibir o vídeo (institucional, que vem apresentando na cidade), gostaria de ouvir o senhor Wang sobre essas propostas", enfatizando o apelo à decisão.

Na mesma hora, o tradutor que intermediava a negociação afirmou que a BYD só possuía dois veículos elétricos liberados, mas que atenderia o pedido do prefeito. Disse que, no Brasil, importaria outros dois da China ainda neste ano. Chuan-fu disse estar disposto a colaborar com o outro pedido: a doação de painéis solares para hospitais, mas sem cravar um número.

Pouco depois, o prefeito já começava a entregar a exposição prometida: tuitava ter conseguido quatro carros elétricos e dois painéis solares para a cidade.

Doria já esteve em cinco instituições financeiras - entre bancos, agências de desenvolvimento e fundos de investimentos. Ele sabe qual é a avaliação dos chineses: em 2018, o País começará novo ciclo de crescimento e eles querem ser conhecidos no Brasil. Tanto que todos sinalizam querer ajudá-lo. Esse conhecimento está incorporado ao “canto da sereia” aos empresários.

O prefeito não esconde suas estratégias. No caso das câmeras de segurança, que devem ser objeto de Parceria Público-Privada (PPP) anunciada em solo chinês, ele esteve nos dois fabricantes rivais e fez pedido a ambos. Destacou que o método “já havia funcionado” na capital, quando pediu carros e motos para fabricantes brasileiros rivais.

Depois de “passar o chapéu” na China, Doria deverá se reunir em agosto com empresários chineses para dar sequência aos seus planos, muitos relacionados ao Plano de Desestatização, que prevê, por exemplo, conceder equipamentos públicos. No caso da BYD, o interesse é nas regras da licitação dos ônibus, que deve começar no mês que vem. Doria espera que, antes de receber os orientais, a Câmara Municipal aprove seu plano de desestatização, dando mais segurança jurídica para fechamento de acordos.



Marcadores: