Solar

Pernambuco pode receber projeto inédito de sistema de energia solar em 2017

Tuesday, 06 de September de 2016

Pernambuco pode receber projeto inédito de sistema de energia solar em 2017

O uso de energia solar ainda não é amplamente usado no Brasil, mas isso não significa que o país não receba iniciativas que promovam esse sistema. Agora, a Companhia Hidrelétrica de São Francisco (Chesf) e a Universidade Federal do Ceará (UFC), em parceria com um instituto alemão, estudam trazer um projeto inédito para ser usado como alternativa às hidrelétricas.

A ideia é construir um projeto-piloto no município de Petrolina, em Pernambuco, já no ano que vem, para testar a tecnologia heliotérmica que, ao contrário dos equipamentos solares usados no país, pode armazenar energia para ser usada, inclusive à noite.

A geração de energia heliotérmica usa o sol como fonte indireta de eletricidade. Ela funciona com um conjunto de captadores espelhados, distribuídos em uma área plana. Os espelhos se movimentam de acordo com a posição do sol e refletem os raios para uma torre solar, que por sua vez armazena o calor e o transforma em energia. Ela é diferente da geração de energia solar fotovoltaica, já explorada no Brasil, que não é capaz de guardar o calor produzido.

Segundo Paulo Alexandre Rocha, professor da UFC e coordenador do Laboratório de Energia Solar e Gás Natural da instituição, os painéis fotovoltaicos exigem um sistema de baterias mais caro e têm limite de aleatoriedade, o que significa que, se não tiver sol, então eles terão de fazer uso da hidrelétrica como complementação. A energia eólica é similar, pois, se não há vento, é necessário acionar turbinas da hidrelétrica para compensar a baixa produção. Ou seja: o país ainda é muito dependente das usinas hidrelétricas, que geram cerca de 65% da eletricidade de todo o Brasil.

Com o sistema de armazenamento térmico é bem diferente: além de ser mais viável, a energia fica guardada em forma de calor para, no momento em que for preciso, ela ser acionada, inclusive à noite. É por isso que Petrolina não foi escolhida por um acaso, já que o território semiárido é ainda mais propício para o funcionamento do projeto.

"À medida que os recursos hídricos estão exíguos e deficitários, e até por uma questão de hidrologia estão com pouca água, se faz necessário que rapidamente a gente encontre outra alternativa para armazenamento de blocos de energia. A energia heliotérmica é uma grande esperança para a produção energética do futuro, uma das mais atraentes", disse Benedito Parente, assessor de Planejamento Estratégico da Chesf.

Outro ponto considerado inovador por Rocha é uma variação no mecanismo de captação de calor da torre. Enquanto iniciativas de outras regiões do mundo operam essa etapa com sal fundido, a tecnologia escolhida pelos cientistas usa o ar, em um sistema batizado de "receptor volumétrico aberto". Atualmente, ele está sendo usado em uma usina heliotérmica piloto, construída na Alemanha pelo Instituto solar de Jülich (SIJ), parceira da Chesf e da UFC no desenvolvimento da torre solar de Petrolina, que deve ser semelhante ao modelo implantado na cidade alemã. A empresa alemã Kraftanlagen München GmbH fornecerá a tecnologia necessária.

Para que a ideia seja concretizada, o grupo tenta conseguir R$ 45 milhões em recursos junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), por meio de uma chamada pública do Programa de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia Elétrica. Segundo Parente, o prazo para receber uma resposta da agência é de até 60 dias.

Em agosto, a proposta passou por adequações a pedido da Aneel. Caso seja aprovada, começará a dar os primeiros passos em 2017 e será desenvolvida em até três anos e meio. O estudo deve dar mais detalhes em relação ao armazenamento da energia, como detectar qual a capacidade e por quanto tempo ela pode ser "guardada". Os autores da iniciativa também esperam descobrir a viabilidade econômica da tecnologia, ou seja, qual o custo-benefício do equipamento.

Por fim, Rocha destacou que, para aproveitar a oportunidade de ganho com pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias, o sistema escolhido foi o Ciclo Rankine Orgânico, que tem o potencial de reduzir perdas de calor e, consequentemente, de energia. A previsão é que esse bloco de produção gere energia suficiente para alimentar as próprias instalações da Chesf, com a expectativa de atender inclusive ao local onde serão desenvolvidas as pesquisas do projeto-piloto. A viabilidade econômica da aplicação desse sistema também vai ser estudada no decorrer dos 40 meses de trabalho.



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