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Solar: EPE conclui estudo em fevereiro

Monday, 30 de January de 2012

Solar: EPE conclui estudo em fevereiro

O presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, afirmou que os estudos para desenvolver a energia solar no país estão ´praticamente´ prontos e serão enviados no próximo mês para o Ministério de Minas e Energia. Uma das principais questões do estudo trata do incentivo da utilização de energia solar nas residências, com a instalação de medidores inteligentes, que medirão a energia que entra e que sai das casas. comentou.
´A Aneel [Agência Nacional de Energia Elétrica] já colocou isso em audiência pública e a EPE está fazendo analises de outras medidas complementares que poderiam ser desenvolvidas pelo governo para a instalação de painéis fotovoltaicos nas residências se tornar mais atrativa´, disse Tolmasquim.
Tolmasquim também destacou a importância da criação de preços mais competitivos. ´A participação da energia solar em leilões também está sendo estudada´, ressaltou. Tolmasquim preferiu não falar sobre os preços esperados para a venda da energia nos leilões, mas explicou que será divulgada em breve uma relação das expectativas de preços e possíveis incentivos fiscais para o desenvolvimento da energia no país. ´Podemos nos basear no cenário da energia eólica, que começou muito pequena e hoje é o sucesso que é´, disse.
Investimentos focam a energia solar
A energia solar dá sinais cada vez mais evidentes de ser o próximo foco dos investimentos em energias alternativas no Brasil. Especialistas do setor e observadores acreditam que, a exemplo do segmento eólico, a geração de energia a partir dos raios solares deve ter um significativo desenvolvimento no País nos próximos anos.
Para os mais otimistas, a velocidade do crescimento dos projetos solares poderá ser mais intensa que a observada na geração a partir dos ventos, dada a possibilidade de realização de investimentos pequenos, por parte de consumidores residenciais, por exemplo. A expectativa é de que passos importantes possam ser dados ainda em 2012, especialmente no que diz respeito à regulação, fator considerado um dos entraves para a realização dos projetos.
Segundo o diretor de estudos de energia elétrica da EPE, José Carlos de Miranda Farias, o estudo em elaboração abrange questões como custos e competitividade. A ideia é estimular a geração distribuída (em que os consumidores investem na geração própria e vendem o excedente para a distribuidora), além de possibilitar a comercialização da energia solar nos leilões promovidos pelo governo.
A iniciativa privada também colabora no desenvolvimento de estudos para a inserção da energia solar na matriz elétrica brasileira. A Associação da Indústria de Cogeração de Energia (Cogen) também criou um grupo de estudos visando elaborar um conjunto de propostas a serem entregues ao governo.
Independentemente da definição de regras, algumas iniciativas já foram criadas e possibilitam a ampliação do conhecimento das tecnologias relacionadas à geração solar por parte das empresas do setor elétrico. Além disso, já colaboram para estimular a expansão da fonte solar no País, cujo potencial foi praticamente inexplorado até o momento.
Outras iniciativas também devem estimular o segmento, como a instalação dos painéis fotovoltaicos nos estádios da Copa do Mundo. Os projetos preveem o uso desses equipamentos para o consumo próprio de energia, casos do Mineirão (MG), do Maracanã (RJ) e da Arena da Baixada (PR). A arena Pituaçu (BA), que não será utilizada na Copa, também contará com placas solares.
A segunda fase do programa federal "Minha Casa, Minha Vida", também prevê o uso da energia solar nas moradias. A expectativa é de que até 400 mil famílias tenham suas casas equipadas com painéis para aquecimento da água. Os cálculos do governo apontam que o uso dessa tecnologia pode reduzir em até 30% o custo da energia desses consumidores.
Mas o desafio do desenvolvimento da energia solar é justamente ir além do aquecimento solar, segmento de maior desenvolvimento hoje, uma vez que 200 municípios do País já possuem legislação obrigando instalação de equipamentos para aquecimento solar. Estimativas do setor dão conta de que o número de sistemas de coletores para aquecimento solar esteja próximo dos 15 milhões de unidades.

Mercado atraente

Investidores internacionais em energia solar também observam com atenção o desenvolvimento do segmento no Brasil. A espanhola T-Solar, do Grupo Isolux Infrastructure, por exemplo, avalia que o Brasil, bem como outros países latino-americanos, deve oferecer oportunidades de investimentos dentro dos próximos cinco anos. "A América Latina é um mercado de destino importante para T-Solar dado o alto nível de irradiação solar da região e seu crescente interesse pelas energias renováveis", disse o diretor da empresa Juan Laso.
O executivo considerou que o Brasil pode ser um mercado muito atrativo, observando que no País existem "todas as condições necessárias para o desenvolvimento da tecnologia". No entanto, a primeira usina solar na América Latina está sendo construída no Peru, na cidade de Arequipa. Duas centrais fotovoltaicas deverão produzir 80 GWh por ano e têm previsão para iniciar operação no segundo semestre deste ano.

A Rio Alto Energia, que no final do ano passado anunciou um empreendimento de geração solar em Coremas (PB), com investimentos de mais de R$ 300 milhões e 50 MW de potência, tem em estudo outros 200 MW na região. A ideia é aproveitar o grau de insolação daquela área para geração por concentração solar, segundo Sergio Reinas, sócio da empresa.
"Temos diversos projetos em outros municípios. As medições apontam um cinturão nesta área", diz Rafael Brandão, também sócio.
No projeto de Coremas, os empresários optaram por fazer aproveitamento agrícola, com plantação de tomate em estufa na área. "O modelo de produção agrícola, já adotado por americanos e israelenses, pode criar uma indústria em torno disso, com atração de empregos e desenvolvimento local", diz Reinas.



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