Florestas

Modelo monitora bacias hidrográficas da Amazônia

Sunday, 08 de January de 2012

Modelo monitora bacias hidrográficas da Amazônia

O aluno de doutorado do Programa de Engenharia Civil da Coppe, Augusto Cesar Vieira Getirana, conquistou o Grande Prêmio Capes de Tese 2010. Autor da tese “Contribuições da altimetria espacial à modelagem hidrológica de grandes bacias da Amazônia”, Augusto teve como orientadores os professores da Coppe, Webe João Mansur e Otto Corrêa Rotunno Filho e a pesquisadora da Universidade Paul Sabatier/Toulouse III, Marie Paule Bonnet.
Das 383 teses que concorreram ao prêmio este ano, 45 foram premiadas e apenas três receberam o Grande Prêmio Capes nas chamadas grandes áreas do conhecimento. O aluno da Coppe foi o vencedor na grande área “Engenharias e Ciências Exatas e da Terra”. A cerimônia de entrega foi realizada dia 15 de dezembro, na sede da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em Brasília.
Augusto desenvolveu durante seu trabalho de tese novas metodologias para aperfeiçoar o monitoramento das grandes bacias hidrográficas da Amazônia, a partir de modelagens computacionais com alto grau de precisão e dados de satélite. Essas metodologias integram dados obtidos por satélites, com ênfase naqueles oriundos da altimetria espacial - técnica que mede a elevação da superfície de espelhos d'água-, para calibrar de forma automática os modelos hidrológicos, do tipo chuva-vazão. Os resultados do estudo indicam que a altimetria espacial tem potencial para complementar a atual rede de coleta e aquisição de dados hidrológicos realizadas diretamente no local.
“Como o processo de coleta de dados usado até o momento tem uma série de carências, acaba limitando a melhor compreensão do ciclo da água da Amazônia. Mas isso pode ser amenizado com o uso de dados altimétricos espaciais, entre outros igualmente obtidos a partir de satélites de observação da Terra. Assim, passaremos a contar com uma maior abundância de dados”, garante o aluno da Coppe.
Segundo Augusto, o desflorestamento e as mudanças climáticas poderão alterar a disponibilidade das águas dos rios da bacia amazônica, afetando a biodiversidade e a produção hidrelétrica na região. Com base neste cenário, tornam-se cada vez mais necessárias tecnologias que possam contribuir para o funcionamento de uma rede de monitoramento hidrológico adequado, essencial para se obter previsões mais confiáveis.
Para realizar os testes, Augusto fez simulações dos processos hidrológicos da bacia do rio Negro que, além de ser o segundo maior afluente em termos de vazão do rio Amazonas, é de grande importância econômica e social por beirar, entre outras cidades, Manaus, capital do estado do Amazonas e maior cidade da região. O aluno da Coppe explica que o rio Negro tem uma área de aproximadamente 712 mil km2, dos quais 21,5% estão sujeitos a inundações e a secas, o que resulta em grandes impactos na vida da população ribeirinha, em períodos de cheias e estiagens. “A previsão de vazões de longo prazo na Amazônia, por meio de modelos hidrológicos adequadamente calibrados, poderá ser de grande utilidade para essas comunidades, viabilizando alertas antecipados em relação às cheias, reduzindo danos econômicos e sociais causados pelas águas”, completa.
Augusto desenvolveu sua pesquisa por meio de uma cooperação entre a UFRJ e a Universidade Paul Sabatier – Toulouse III, sob a coordenação do professor do Programa de Engenharia Civil da Coppe, Otto Corrêa Rotunno Filho e da pesquisadora do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD/França), Frédérique Seyler. O estudo foi apoiado pelo programa Capes/Cofecub – destinado a projetos conjuntos de pesquisa entre instituições de ensino superior do Brasil e da França – e também contou com a colaboração de pesquisadores de várias instituições nacionais e estrangeiras. Entre elas, o Instituto de Pesquisas Hidráulicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (IPH/UFRGS).
O trabalho contou ainda com apoio dos projetos Prosul/CNPq, para pesquisar técnicas de sensoriamento remoto aplicadas ao monitoramento hidrológico e de mudanças climáticas na região Amazônica; e ORE HYBAM – observatório que trata do controle, alteração e material de transporte na bacia Amazônica sob as óticas geodinâmica, hidrológica e biogeoquímica. Além disso, também teve a colaboração da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) – Serviço Geológico do Brasil, da Agência Nacional de Águas (ANA) e da Universidade de Paris VII.
“Esse trabalho sintetiza a atuação da Engenharia Civil da UFRJ e, em especial, do Programa de Engenharia Civil da COPPE nas áreas de recursos hídricos e meio ambiente”, explica o coorientador da tese, professor Otto Corrêa Rotunno Filho.
Em sua quinta edição, o prêmio é concedido anualmente pela Capes às melhores teses de doutorado defendidas e aprovadas nos cursos reconhecidos pelo Ministério da Educação, considerando os quesitos originalidade e qualidade. A premiação é entregue à melhor tese de doutorado selecionada em cada uma das áreas do conhecimento reconhecidas pela Capes.

COPPE



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