Eólica

Tesouro ambiental poderia ser iluminado pelas energias eólica e solar

Tuesday, 30 de April de 2013

Tesouro ambiental poderia ser iluminado pelas energias eólica e solar

É um legítimo tesouro a céu e mar abertos. Impossível não se encantar com as maravilhas naturais e a biodiversidade do Arquipélago de Fernando de Noronha. Patrimônio da Humanidade que desde 1988 se encontra sob a gestão do governo estadual de Pernambuco, graças à interferência do então governador Miguel Arraes.

Arraes foi preso político no arquipélago, quando este era apenas uma prisão a serviço das diversas ditaduras vividas pelo País, e quando ainda não se falava em meio ambiente, biodiversidade, sustentabilidade.

Na atual gestão do governo estadual, comandado por um neto de Arraes, Eduardo Campos, o arquipélago pede socorro. Ou melhor, moradores e turistas brasileiros e internacionais pedem socorro por ele. Um tesouro que pertence a cada um de nós, e não apenas ao estado de Pernambuco.

Conta-se na vila dos Remédios que o arquipélago já teve duas turbinas eólicas, hoje desativadas. Grande visão de quem as instalou: os ventos que varrem o arquipélago são tão fortes quanto os que movimentam as turbinas dos parques eólicos do Ceará, do Rio Grande do Norte, da Bahia. Poderiam perfeitamente gerar energia elétrica suficiente para iluminar as residências, pousadas, e alimentar de energia as agências de turismo, restaurantes, e atividades de preservação desenvolvidas pelo ICM-Bio.

Mas - conta-se - uma das turbinas teria causado a morte de uma ave desavisada, e por isso teria sido desativada. E a outra teria sido instalada sem para-raios, sob o argumento de que nenhum raio atingiria a ilha. Atingiu - e queimou - a segunda turbina.

A energia solar há anos é usada para aquecer os chuveiros das pequenas e grandes pousadas da ilha principal. Apenas. Mas poderia ser melhor utilizada, e gerar também eletricidade, por meio de micro e minigeradores, como os que alimentam de energia algumas comunidades indígenas e ribeirinhas da Amazônia.

Até o presente, além das pousadas domiciliares que usam o aquecimento solar, parece que apenas um empresário de turismo aproveita os potenciais eólico e solar da ilha, em sua pousada de alto padrão, a Solar dos Ventos (foto).

A eletricidade da ilha principal, habitada por cerca de 2,5 mil pessoas, é fornecida - acredite quem quiser - por uma usina termoelétrica movida a óleo diesel. Uma das poluidoras termoelétricas criticadas pelo governador do Pernambuco nas últimas intervenções de propaganda política de seu partido, o PSB, como sendo poluidoras e caras (o País gasta com elas R$ 400 milhões/mês). No entanto, as usinas de biodiesel do sul da Bahia ao norte do Maranhão, e as de etanol existentes em Pernambuco e Alagoas bem que poderiam fornecer combustível ou biomassa para alimentar de modo mais sustentável a termoelétrica do arquipélago.

Fernando de Noronha, onde o meio ambiente é tão bem cuidado por biólogos e guias turísticos certificados, para preservar a biodiversidade das águas cristalinas e das matas, está à mercê de uma usina poluidora do ar e das águas, geradora de gases de efeito estufa.

Um absurdo que deixa indignados moradores e visitantes apaixonados por esse paraíso ambiental, tão negligenciado por gestores e autoridades governamentais.

Um tesouro submetido ao poder político de um governador que se insinua como provável candidato à eleição presidencial em 2014, e que pode ainda corrigir o equívoco energético neste patrimônio ambienta que pertence a toda a Humanidade.

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