Economia verde

Fiesp debate Logística Reversa de embalagens

Thursday, 22 de February de 2018

Fiesp debate Logística Reversa de embalagens

O nível de coleta de resíduos sólidos urbanos, no Brasil, alcança 90% de cobertura, taxa de um país desenvolvido, mas somente 3% do total são triados por via formalizada, de modo manual, custoso e sem escala. Ou seja, há um mercado da ordem de 97% que não retorna à cadeia produtiva e se traduz em oportunidade de negócios, como enfatizou Mario Hirose (diretor titular adjunto do Departamento deMeio Ambiente da Fiesp e do Ciesp). 

Esses dados foram debatidos em workshop do setor de alimentos e bebidas – Logística Reversa de Embalagens, ocorrido na Fiesp em 13 de dezembro de 2017. Por este motivo, encontra-se em desenvolvimento modelagem de Logística Reversa que considera ação conjunta entre a indústria e os operadores de sistemas de gerenciamento de resíduos sólidos, visando à adequação às regulamentações federal e estadual, com responsabilidade socioambiental. O objetivo é fazer uso de tecnologia, transparência e escala a fim de reduzir o custo sistêmico da Logística Reversa de
embalagens descartadas.

Para Rogério Ignácio Betancourt (diretor adjunto do Departamento de Agronegócio da Fiesp e presidente do Sindirações), “Já demos um grande passo em relação à destinação adequada [das embalagens] dos defensivos agrícolas, mas queremos todo o setor dentro do marco de legalidade”, mediante alternativa racional e viável em função do momento de maturidade, afirmou o diretor.

Eduardo Trani (secretário adjunto da Secretaria de Meio Ambiente-SMA do Estado de São Paulo) frisou que o Plano Estadual de Resíduos Sólidos, de 2014, merece ser revisto. Ele avaliou que São Paulo se contrapõe ao restante do país. “O grande problema é avançar na normatização e legislação diante do pouco espaço para soluções de performance, na prática, e aqui se inaugura um Projeto-Piloto de grande perspectiva. Nós fizemos 14 Termos de Compromisso com diversos setores da indústria e já revimos 7 deles”, disse, ao avaliar que o Projeto-Piloto pode ser uma saída e ter bons resultados.

Esse projeto contará com um Portal de Economia Circular que centralizará informações e será instrumento de fácil consulta, além de um instrumento de comunicação sobre empresas recicladoras e de tratamento no Estado de São Paulo, sistemas implementados de Logística Reversa, Bolsa de Resíduos da Fiesp e trazer cases de sucesso. Há termo de cooperação firmado com a SMA e a Cetesb para a realização conjunta de projetos, nesse sentido, e a adesão de quinze sindicatos ao Projeto-Piloto, além do interesse manifesto por outras entidades.

Para Fábio Sato (diretor de novos negócios da New Hope Ecotech Negócios Sociais e Gestão Empresarial), o modelo proposto tem como benefícios proporcionar conformidade legal, transparência, inclusão, menor custo e geração de créditos, além de investimentos proporcionais. “Trata-se de um canal de colaboração confiável”, disse, lembrando que ao longo do seu desenvolvimento outros atores podem integrar-se ao projeto, aumentando o uso de materiais reciclados.



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