Economia verde

Essa máquina devora tudo. Mas é do bem!

Saturday, 09 de July de 2016

Essa  máquina devora tudo. Mas é do bem!

Equipamento que recebeu Patente Verde trata resíduos sólidos sem impacto para o meio ambiente

Pense numa máquina devoradora - mas do bem. Que não se parece com nenhum monstro assustador de filmes como O exterminador do futuro ou algo do gênero. Nem ataca seres humanos, nem o meio ambiente.

Essa máquina tem uma aparência até inofensiva, inexpressiva. Mas devora, mastiga, tritura e desintegra todo tipo de resíduos sólidos: urbanos, industriais, hospitalares, e embalagens tóxicas ou contaminantes. E o melhor de tudo: sem deixar restos ou fumaças poluentes, nem emitir gases de efeito estufa.

Materiais pesados, como chumbo, arsênio, cádmio, cromo, mercúrio, ficam retidos no interior da estrutura cristalina. O resultado de todo o processo é um material inerte, mas que pode ser reaproveitado numa série de setores produtivos. A máquina “cospe” apenas uma pedra ou pedriscos de tipo cerâmico, sem conteúdo tóxico, e que pode ser utilizado na construção civil como carga de concreto, cimento, lã de vidro, asfalto, lajotas, etc.

"Prazer, meu nome é VORAX", diria ela, pela voz do engenheiro eletrônico Luis Antonio Namura Poblacion, formado pelo Instituto Técnico de Aeronáutica (ITA). Namura é presidente da empresa Solum Ambiental, que desenvolveu a máquina a partir de pesquisas efetuadas por uma equipe liderada pelo engenheiro Alberto Carlos Pereira, também do ITA em S. José dos Campos (SP).

A Vorax pode ser considerada a solução ideal, revolucionária mesmo, para empresas e hospitais, que geram resíduos perigosos. Ela é voraz, mas inofensiva para seres humanos e o meio ambiente.
O INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) concedeu à Solum a primeira Patente Verde, pelo processo inovador da Vorax, por não agredir o meio ambiente. A patente foi concedida em tempo recorde: nove meses, quando o prazo habitual é de cerca de cinco anos. Agora a Vorax está sendo patenteada em 32 países.

Foi no início dos anos 2000 que o projeto da máquina para tratar resíduos industriais teve início, a partir de pequisas desenvolvidas nos laboratórios de física do ITA.

O projeto inicial consistia em produzir tochas de plasma para desintegrar resíduos, na tentativa de imitar o que aconteceria com os resíduos se pudessem ser levados até o Sol. A temperatura do Sol faria suas moléculas se separarem. O lixo deixaria de ser lixo. Separadas, as moléculas se reuniriam para formar outras coisas.

Diante da impossibilidade de levar todo o lixo até o Sol, Namura, Alberto e sua equipe pesquisaram como criar um ‘Sol’ aqui na Terra mesmo. O objetivo era criar uma máquina capaz de reproduzir as temperaturas elevadíssimas do sol, e acessível a empresas, hospitais, municípios, portos, aeroportos, ilhas, navios e qualquer outro lugar onde o lixo é um problema.

Mas o plasma apresentava dois problemas. Primeiro o custo altíssimo da energia elétrica para ‘refazer o Sol na Terra’, a 6 mil graus, a uma voltagem muito alta (milhares de volts), era proibitivo. Produzir a tocha de plasma custava muito mais do que o valor que poderia ser recebido pelo tratamento dos resíduos industriais.

O segundo problema é que a queima dos resíduos pela tocha de plasma gera dioxinas e furanos, dois tipos de subprodutos carcinogênicos. Seria possível destruir estes subprodutos, mas para isso seria preciso consumir ainda mais energia elétrica, o que custaria ainda mais caro. Em suma: a tocha de plasma mostrou-se inviável economicamente.

O projeto foi paralisado por seis meses, até o pesquisador responsável ter uma nova idéia. Foi o que aconteceu. Na verdade, para desintegrar os resíduos era necessário obter a alta temperatura, não o plasma.

Primeira Patente Verde brasileira

A nova idéia consistiu em juntar os princípios de duas fontes térmicas, que consta no nome da Vorax: Duo Therm, para atingir a temperatura de 1600 graus, e permitir a desintegração dos resíduos sólidos. A primeira fonte permitiu aquecer os resíduos a 900 graus, e foi ela o objeto da Patente Verde.
Depois dessa etapa, os resíduos ou gases gerados no processo passam por lavagem alcalina, e ainda por 5 tipos de filtro. A seguir, vão para uma segunda câmara, de pirólise (queima controlada). Durante todo o processo, não é emitido nenhum gás de efeito estufa, garante Namura. O que permite à empresa que utilizar a máquina gerar créditos de carbono, pela não emissão de gases de efeito estufa.

A Vorax permite desintegrar quaisquer tipos de resíduos, sem exceção, embora tenha sido pensada para dar um fim aos mais perigosos, de tipo industrial e hospitalar.


Três níveis de voracidade em dimensão compacta

São três os modelos da máquina, segundo a capacidade para tratar resíduos: 2 toneladas/dia; 4 toneladas/dia e 10 toneladas/dia. Os valores são, respectivamente, R$1,840 milhão, R$2,480 milhões e R$5,180 milhões, valores esses que são totalmente financiáveis pelo BNDES, uma vez que o projeto já está aprovado pela instituição.

A máquina é compacta, leve e ocupa espaço reduzido. Apresenta baixo nível de ruído, comparável ao de equipamentos de ar condicionado. Não utiliza ar no processo, nem produz cinzas, dioxinas e furanos, já que a alta temperatura da 2ª fonte rompe as moléculas dos resíduos sólidos.
Outras qualidades da Vorax são: facilidade de transporte, de instalaçã e de manutenção; operação automática e via internet; redução dos resíduos em volume (100 a 250:1) e em massa (10:1); alta confiabilidade, com reduzida necessidade de mão de obra.

Co-geração

A Vorax pode ser programada também para a co-geração de energia elétrica, durante o processamento de resíduos sólidos, através de módulo específico. Ela pode ser alimentada em 220V ou 380V. Não requer instalações especiais e tem baixo consumo de energia elétrica, equivalente ao de cinco chuveiros elétricos (40KWh).

Sua operação é totalmente automatizada. Pode ser ligada em 4 minutos, sem intervenção do operador.

Não utiliza refratários e opera em atmosfera neutra, sem risco de vazamentos ou explosões. Não possui bombas no reator, o que minimiza os custos de manutenção.

Financiamento pelo BNDES

"No caso da máquina que trata 2 toneladas/dia, com o financiamento pelo BNDES, vai custar à empresa R$ 57 mil mensais, durante 48 meses", explica Namura. "Ela se paga em aproximadamente dois anos e meio."

O tempo de vida da Vorax é estimado em 20 anos, mas se forem feitas todas as manutenções corretamente, ela pode durar eternamente.

Sobre Luis Antonio Namura Poblacion

Formato em engenharia eletrônica, Namura tem especialização em marketing e administração de empresas pela Louisiana State University. tuou como docente de matemática, física, química e eletrônica em escolas de ensino médio e cursos pré-vestibulares. É professor convidado de cursos de graduação e pós-graduação da Faculdade de Economia e Administração (F0EA) da USP e da Fundação Getulio Vargas. Ministra palestras em seminários no Brasil e nos EUA, nas áreas de marketing, administração e tecnologias na Educação.

Atualmente preside o Grupo Vitae Brasil - do qual faz parte a empresa Solum Ambiental - que conta mais de 1.200 funcionários. O Grupo Vitae Brasil desenvolve produtos e serviços nas áreas de gestão, meio ambiente, educação, tecnologia e saúde._Copyright © webioenergias.com.br



Marcadores: