Biomateriais

Pesquisa da UFSCar com biopolímeros traz benefícios para agricultura e meio ambiente

Friday, 24 de June de 2016

Pesquisa da UFSCar com biopolímeros traz benefícios para agricultura e meio ambiente

Com o grande aumento da população mundial e a escassez de terra, é necessário cada vez mais um aumento expressivo também na eficiência da agricultura. Com foco nesta demanda, a técnica de liberação lenta e controlada de fertilizantes tem sido explorada devido aos seus benefícios nítidos: além de aumentar a eficiência de seus usos, reduz a toxicidade do solo e diminui os efeitos negativos associados à sobredosagem. Perante estas vantagens, pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) vêm estudando materiais e métodos de liberação controlada de fertilizantes.

O assunto norteia o projeto de mestrado da aluna Débora França, graduada no curso de Química pela UFSCar e atualmente estudante do Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciência de Materiais, no Campus Pirassununga da Universidade de São Paulo (USP). O trabalho é feito sob orientação da professora Roselena Faez, do Departamento de Ciências da Natureza, Matemática e Educação (DCNME) do Campus Araras da UFSCar e também credenciada no Programa de Pós-Graduação da USP citado.

Realizados desde 2012, os estudos - que possuem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) - inicialmente passam pelo Laboratório de Materiais Poliméricos e Biossorventes da UFSCar e desenvolvem um biopolímero com material ferti-liberador, que disponibiliza fertilizante de forma lenta ou controlada ao longo do tempo. Com isso, o material libera os nutrientes conforme a real necessidade da planta.

“O diferencial é que, com esta tecnologia, não é preciso realizar repetidas aplicações de fertilizantes. O material não libera sobredosagem e a planta absorve o que for necessário para o seu crescimento”, explica Débora. Segundo a pesquisadora, este material se difere do fertilizante convencional que, ao contrário, libera um grande pico de nutrientes, mas que são absorvidos apenas em pequenas quantidades pelas plantas. A repetição contínua da aplicação do fertilizante convencional - realizada semanal ou quinzenalmente - pode prejudicar tanto o solo como a própria planta, que não necessita de grande quantidades de nutrientes para se desenvolver.

Além disso, a nova tecnologia utiliza um polímero natural e biodegradável, ao contrário dos demais existentes na literatura, que são fertilizantes sintéticos e não biodegradáveis. “Os biopolímeros utilizados na pesquisa não prejudicam o solo. Assim que aplicado, o fertilizante se degrada com o tempo e interage com o solo de forma atóxica”, completa. Outro benefício do material é que, com seu uso controlado, não há grandes perdas de fertilizante, algo comum na agricultura.

Após a primeira etapa, que consiste em testes realizados em água, os materiais são analisados no Laboratório de Poluição de Solos, coordenado pelo professor Claudinei Souza, do Departamento de Recursos Naturais e Proteção Ambiental (DRNPA), também do Campus Araras da UFSCar. “Utilizamos uma técnica em que o material ferti-liberador é colocado em sondas, que liberam ondas eletromagnéticas e conseguem, assim, medir a condutividade e a umidade do solo. Por meio de relações matemáticas, conseguimos converter essa condutividade iônica do solo em concentração iônica. É possível, assim, ver o perfil do fertilizante, já que é um composto iônico”, ressalta Débora. A partir desse momento, os pesquisadores conseguem comparar as características dos solos com e sem fertilizantes e, assim, analisar o perfil de liberação desse material.

Em seguida, são feitas análises físicas e químicas em laboratórios de caracterização de materiais na USP. Segundo Débora, a interação entre duas universidades renomadas como UFSCar e USP traz benefícios mútuos – para a própria estudante, para as instituições envolvidas e, sobretudo, para a qualidade da pesquisa no Brasil. “É uma experiência muito enriquecedora e que fortalece as minhas formações profissional e acadêmica, porque o pesquisador nunca trabalha sozinho. Ao conhecer novos lugares e pessoas, amplio meus contatos e conhecimentos e a oportunidade de produzir pesquisas que beneficiam a sociedade e o meio ambiente. Sendo assim, parcerias como essa são muito importantes para o crescimento científico no Brasil”, finaliza a pesquisadora.



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