Biomassa

Crescer com plantio de pequenas florestas

Wednesday, 10 de February de 2010

Crescer com plantio de pequenas florestas

A Universidade Federal do Paraná (UFPR), por meio da Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná, vai ajudar a recuperar a floresta de araucária, a árvore-símbolo do Paraná.

Trabalhar com o desenvolvimento sustentável em uma das áreas com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) no Paraná com plantio de pequenas florestas é o objetivo do projeto Ouro Verde, lançado no último dia 19, pelo governo do Estado. O investimento, com recursos provenientes do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), serão na ordem de R$ 800 milhões em oito anos e vai beneficiar produtores rurais com áreas de até 10 hectares.
O programa segue o mesmo modelo de um projeto na Alemanha, que recuperou as florestas nativas e o território conta hoje com 45% de sua área com florestas. As espécies a serem plantadas são a bracatinga, eucalipto, pinus e araucária.
De acordo com o secretário de Desenvolvimento Florestal, Nivaldo Krüger, o programa surgiu diante de um dado preocupante: restam 5% de matas. No caso da floresta de araucárias, a situação é ainda pior, pois há apenas 0,8%.
“Estamos consumindo mais madeira do que repondo. Estimamos que haja um déficit de 55 mil hectares por ano. Se a situação persistir, entraremos em um colapso. Diante desse fato, resolvemos enfrentá-lo, por meio de um programa eficiente e praticável”, revela.
O motivo da devastação é que não foi criada no Paraná uma cultura de reposição, mas sim de extração. “O nosso estado acabou com as florestas. Com esse projeto, esperamos contribuir para o equilíbrio do balanço entre o consumo e a reposição florestal, aumento de renda e melhoria no uso da terra”, conta.
Para a realização desse trabalho, foi escolhido o centro-sul e nordeste do Paraná, pois, segundo Krüger, são os locais com o menor IDH do Estado. “São 120 municípios, onde vivem aproximadamente três milhões de pessoas. Partimos do princípio de que essa região deveria ser beneficiada, a fim de que possa desenvolver e melhorar o seu IDH”, informa.
O secretário garante que o desenvolvimento sustentável é uma tendência para o futuro. “Partimos do princípio estabelecido pela Agenda 21 (documento que estabeleceu como os governos e a sociedade poderiam cooperar no estudo de soluções para problemas socioambientais), que define o desenvolvimento sustentável. Nossa meta é unir a questão ambiental com a econômica, sem que um não inviabilize o outro. É como diz aquela frase: pensar globalmente e agir localmente”, avalia.
Ele diz que esse reflorestamento irá servir como uma poupança verde para o produtor rural. “Os proprietários ou locatários da terra onde vai ocorrer o reflorestamento poderão pagar em até oito anos o financiamento com o desbaste. Segundo um cálculo feito pelos nossos técnicos, um investimento de R$ 20 mil iria se transformar, nesse período em R$ 500 mil. Valor muito maior do que pagaria, por exemplo, uma cultura de soja. Acredito que não há um projeto semelhante que garanta um lucro tão alto, além de ser rentável e poderá ser feito, inclusive, por meio de consórcios”, afirma.
Para garantir o sucesso do projeto, Krüger conta que foi criada uma rede de apoio entre os mais diversos órgãos para a realização do trabalho. “Outros órgãos do Estado, como a Secretaria de Estado da Educação (Seed), vão se juntar nessa iniciativa.
Participam também estatais como a Copel, sindicatos rurais, os governos municipais, além da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Eles vão fiscalizar esse projeto e vão verificar quem está apto a participar”, diz.
A Universidade Federal do Paraná (UFPR), por meio da Fundação de Pesquisas Florestais do Paraná (Fupef) vai fazer a execução operacional e orientação de manejo, espécies, espaçamento, entre outros, para o projeto Ouro Verde.
De acordo com o engenheiro florestal, pesquisador e secretário-geral da Fupef, Marcelo Lubas, a participação da instituição foi para ajudar a recuperar a floresta da árvore-símbolo do Paraná.
“A Fupef ficou sensibilizada com a situação da araucária que, no passado, era abundante e hoje se encontra em situação de perigo. Além disso, o projeto representa também uma recuperação de toda a tradição que envolve a árvore”, conta.
Uma das ideias da Fupef é a de criar descascadeiras e câmera fria para armazenar o pinhão. “Com essa possibilidade, acreditamos que será possível consumir o pinhão o ano inteiro e não apenas no período de inverno. Ainda estamos nos modelos de protótipos para esse maquinário, mas em breve deveremos ter algo em definitivo”, comenta.
Os planos da Fupef para a recuperação da araucária são em longo prazo, mas o secretário-geral está otimista quanto a isso. “É um trabalho que vai levar pelo menos 10 anos. Acho muito incômodo saber que há menos de 1% de mata de araucária. Com esse trabalho, até 2020, esperamos que a árvore esteja livre da ameaça de extinção”, diz.



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