Biogás

Setor debaterá no Ethanol Summit perspectivas do biogás e biometano

Tuesday, 11 de June de 2019

No dia 18 de junho, a partir das 14h, o Ethanol Summit recebe, pela primeira vez, painel sobre "Biogás e biometano, avanços e perspectivas". Moderado por André Elia Neto, consultor para o tema da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), o painel contará com os debatedores Thiago Barral, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Alessandro Gardemann, presidente da Associação Brasileira de Biogás e de Biometano (Abiogás) e Antônio Simões Rodrigues, diretor de Energias Renováveis da Raízen.

Além de uma fonte de energia versátil, uma vez que pode ser obtido para diferentes fins: energia térmica, elétrica e combustível, do ponto de vista ambiental, o processo de geração do biogás é inseparável da temática sustentabilidade.

"O biogás vem da degradação de resíduos que, sem esse aproveitamento, seriam destinados a aterros e outras formas ambientalmente menos atraentes. Aqui entram conceitos da economia circular, da diminuição de impactos ambientais e da diminuição de gases causadores de efeito estufa", informa o presidente da Abiogás.

O consultor da Unica explica que o RenovaBio trouxe um novo ânimo para a questão de produção de bioenergia no país e, o biogás e o biometano, produzidos a partir da vinhaça (resíduo da produção de etanol), tem muito a contribuir para a questão.

Segundo Alessandro Gardemann, a sinergia entre o setor sucroenergético e o biogás contribui para que essa nova fonte renovável, proveniente dos resíduos da produção de etanol, possa, além de gerar novos recursos via RenovaBio, zerar, ou mesmo negativar, a pegada de carbono do setor.

"Eventos como o Summit são bons para trazer a discussão para agentes do setor e dar seguridade à fonte. Em oportunidades como essa pode-se discutir modelos de negócio, iniciativas existentes no país e contatar empresas e pessoas que estejam trabalhando com isso", finaliza o presidente da Abiogás.

Dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) indicam que potencial atual de geração de energia elétrica para a rede, a partir do biogás no setor sucroenergético, é de mais de 20 mil GWh, o que representaria atender 4,4% do consumo nacional de 2018 ou quase 11 milhões de residências ao longo do ano.

O consultor da Unica explica que o biometano, nada mais é que a purificação do biogás, e que "além de todos os atrativos econômicos e ambientais do biogás, tem ainda um apelo mais atraente sob o ponto de vista de redução de gases do efeito estufa, uma vez que pode substituir completamente, ou uma boa parcela, do diesel utilizado pela usina, podendo zerar a emissão de gases do efeito estufa da usina".

Para se ter uma ideia, atualmente as usinas do setor sucroenergético consomem entre quatro e cinco litros de diesel por tonelada de cana processada, o que pode significar mais de três bilhões de litros ano. De acordo com a EPE, o volume potencial de produção de biometano, apenas pelo setor sucroenergético em 2030, corresponderia a 70% das importações brasileiras de gás natural oriundas da Bolívia, via o Gasbol.

"Do lado do biogás, ainda precisamos de uma política setorial mais ousada de contratação de projetos de bioeletricidade a partir do biogás nos leilões regulados, promovidos pelo Governo Federal, e do lado biometano, há necessidade de construir uma regulamentação estadual para permitir expansão da fonte na matriz energética e a harmonização entre as regulações estaduais e federal" finaliza Elia.



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