Biogás

Biogás para geração de energia elétrica cresce 30% em um ano

Saturday, 25 de March de 2017

A produção de biogás para geração de energia elétrica atingiu a marca de 118,6 megawatt (MW) de energia instalada em fevereiro de 2017, saltando de 0,0572% no inicio de 2016 para os atuais 0,0741% da matriz elétrica brasileira. Esses dados são da  Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel),

O crescimento percentual foi de quase 30% em um ano, sendo o biogás uma das fontes de energia que mais cresceram no Brasil. No total, são 15 usinas operam em aterros a partir de resíduos sólidos urbanos, 11 usinas que operam com de resíduos animais e três usinas a partir de fontes agroindustriais.

Alessandro Gardermann, vice-presidente da Associação Brasileira de Biogás e Biometano (ABiogás) destaca que o motivo por tal incremento foi a entrada de grandes projetos em operação. O maior deles foi o Aterro de Caieiras, em São Paulo, que adicionou 29,547 MW de energia ao sistema. Outro destaque foi o da empresa Raízen, o primeiro projeto a ganhar um leilão de energia com a fonte biogás.

“Outros projetos de geração de energia elétrica a partir do biogás, como Minas do Leão, Salvador, Itajai, GEO Elétrica também contribuíram para o crescimento da fonte no período”, diz Gardermann.

O executivo acredita que nos próximos anos, o crescimento do biogás na matriz elétrica vai continuar com o mesmo vigor, já que importantes projetos estão em fase final de implantação e devem ser conectados nos próximos dias, como a CS Bioenergia, que vai utilizar lodo de esgoto para geração de energia elétrica. “Temos que agora ampliar no saneamento e na agroindústria”.

Na avaliação da secretária-executiva da Associação, Camila Agner D’Aquino, o avanço do biogás é consequência direta do maior conhecimento envolvendo tecnologias de produção de biogás e seus usos finais.

“Defendemos que é viável que o Brasil alcance uma produção diária de 10,7 milhões de m3/dia até 2025”, estima. O que representa 13% do volume atualmente desperdiçado de biometano.

A bioeletricidade tem cada vez mais ganhando protagonismo no setor energético em boa medida pelo incremento do biogás. Segundo dados do Boletim Mensal de Energia (mês de referência de dezembro/2016) divulgado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), em 2016, a bioeletricidade passou a ser a segunda fonte de geração mais importante na Oferta Interna de Energia Elétrica (OIEE) no país, superando o gás natural.

A conjuntura atual do mercado de energia e os avanços na geração de eletricidade a partir da biomassa da cana foram tema das discussões durante o Seminário COGEN / UNICA: “Bioeletricidade: Tecnologia e Mercado”. O evento, no dia 16 de março, teve presença de dezenas de representantes de empresas do setor.

O Subsecretário de Energias Renováveis do Estado de São Paulo, Antonio Celso Abreu Júnior falou sobre os projetos de expansão do uso de energias renováveis dentro da matriz energética estadual e destacou a consulta pública da Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo que prevê a injeção do biometano na rede de distribuição junto com o gás natural. “Nós temos 66 usinas sucroenergéticas instaladas com distância de até 20 km dos gasodutos que podem incrementar a oferta do Estado”.

De acordo com Abreu, o estudo está em elaboração e será apresentado em junho, na próxima reunião do CEPE (Conselho Estadual de Política Elétrica). Souza complementou que somente o potencial teórico do biometano advindo da vinhaça no Estado de São Paulo, considerando a produção de etanol na safra 2015/16, seria da ordem de um bilhão de m³/safra, chegando a equivaler 23% do consumo total anual de gás canalizado no Estado de São Paulo.

O Acordo de Paris, assinado pelo Governo Federal, prevê um aumento de mais de 300% na geração de bioeletricidade para a rede a partir de 2014 até o ano de 2030. Estima-se que, somente em 2016, foram injetados na rede algo como 30 kWh para cada tonelada de cana no Sistema Nacional Interligado (SIN), na média, mas este valor pode chegar a 70 kWh/tc, desde que haja o devido investimento em ganhos de produtividade e políticas públicas mais claras que direcionem e estimulem investimentos.



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