Bioeletricidade

Demanda por energia vai dobrar até 2035 em São Paulo

Tuesday, 05 de April de 2011

Demanda por energia vai dobrar até 2035 em São Paulo

A demanda por energia no Estado de São Paulo dobrará até 2035, revela um estudo apresentado pela Secretaria de Energia. O consumo passará de 65 mi de toneladas de barris equivalentes de petróleo (toe) para 130 mi de toneladas. Dentre as fontes de geração de eletricidade, a co-geração a partir de biomassa responderá pela maior parcela, com 23,5% do total consumido, ultrapassando a hidroeletricidade, que deverá responder por 13,9% da demanda, ante os atuais 20%.

A finlandesa VTT inaugurou laboratório no País para desenvolver estudos do uso do bagaço da cana na fabricação de etanol. E nos EUA, o presidente Barack Obama citou, em discurso sobre seus planos para reduzir a dependência do petróleo, o Brasil como exemplo a ser seguido.

De acordo com o físico José Goldemberg, que faz parte do Conselho Estadual de Política Energética (Cepe), o bagaço da cana será a principal fonte de geração de energia elétrica em São Paulo e sem a necessidade de expansão da área plantada. O acadêmico apontou que o potencial de co-geração no Estado de São Paulo supera a capacidade de Itaipu em 3 mil MW.

"Temos atualmente 2,5 mil MW de capacidade instalada para a co-geração, mas o potencial em São Paulo é de 17 mil MW de energia que poderia ser gerada. Vai ser a principal fonte do Estado de São Paulo", afirmou ele.

Para ele, o maior problema está na forma de conexão das usinas com o Sistema Interligado Nacional (SIN). Esse fato decorre da distância das usinas até as linhas de transmissão que cortam o estado e que seriam utilizadas para o escoamento desta produção.

"Na minha opinião, esse é o problema mais imediato, daqui a cinco anos deveremos dobrar a produção de energia por meio da biomassa e esse é um gargalo que temos, pois as usinas estão espalhadas pelo interior que ficam às vezes a 30 ou 40 quilômetros de uma linha de transmissão", completou o físico que apontou o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) como a solução para o financiamento dessas conexões, que inclusive, estão em discussão com a União da Indústria da Cana-de-açúcar (Única) para que haja o estímulo à produção de eletricidade.

Goldemberg destacou ainda que essa perspectiva de crescimento da co-geração por biomassa é apenas um reflexo que as melhores fontes de geração de energia elétrica no Brasil são as renováveis, que não oferecem riscos ao serem exploradas.

Ainda segundo o estudo, o crescimento do setor de transporte deverá pressionar a participação do diesel na matriz energética. O consumo industrial deverá atingir quase a metade de todo o consumo de energéticos (48%). Já o residencial deverá cair de 8% para 4%

DCI



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