Bioeletricidade

Termoelétricas de biomassa geram 2% da eletricidade

Monday, 26 de July de 2010

Termoelétricas de biomassa geram 2% da eletricidade

Apontada como solução para afastar o risco de um apagão no Brasil, a geração de eletricidade por meio da queima do bagaço de cana-de-açúcar já é uma realidade no Paraná.
Dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) apontam que as termoelétricas abastecidas com os restos da cana - a chamada biomassa - geram 352,7 mil kilowatts/hora (KW/h) de energia no Estado, ou pouco menos de 2% de toda a eletricidade produzida em solo paranaense. Boa parte dessa eletricidade é consumida pelas próprias usinas e destilarias.
O potencial de geração, no entanto, é muito maior. Segundo dados da Associação dos Produtores de Bioenergia do Paraná (Alcopar), se todas as usinas do Estado tivessem condições de explorar ao máximo a capacidade de moagem seria possível gerar 6 mil megawatts/hora (MW/h), aproximadamente um terço de toda a energia gerada no Paraná atualmente.
Para que esses números se transformem em realidade, o setor sucroalcooleiro e o governo precisam resolver alguns gargalos. O maior deles é levar a energia para as subestações, ou seja, interligar as unidades produtores à rede de distribuição.
As usinas também devem investir no aumento da capacidade de moagem e em plantas geradoras de energia, num investimento que pode chegar a R$ 250 milhões por unidade, montante alto para um setor que ainda enfrenta contratempos com relação a preços.

Excedente

Toda usina ou destilaria produz energia para consumo próprio com a queima do bagaço da cana, por meio de uma termoelétrica. Algumas não consomem toda a energia, que pode ser vendida para as distribuidoras ou para o Sistema Interligado Nacional (SIN).
No Paraná, conforme dados da Alcopar, as 30 plantas sucroalcooleiras em atividade têm potencial para moer, juntas, 55 milhões de toneladas de cana por safra.
Esse montante é capaz de produzir 15,4 milhões de toneladas de bagaço. Cada uma tonelada de bagaço gera vapor suficiente para produzir de 3 a 4 kW de energia.
Atualmente, segundo a Alcopar, das 30 plantas industriais existentes no Estado, 19 estão cadastradas na Aneel e as outras 11 aguardam por esse cadastramento.
Entre as 19, seis vendem o excedente de energia: as unidades da Santa Terezinha em Cidade Gaúcha, Tapejara, Paranacity e Terra Rica e as da Alto Alegre em Santo Inácio e Colorado.
"A tendência é que essa participação cresça, mas antes é preciso resolver alguns gargalos", explica o superintendente da Alcopar, Adriano da Silva Dias. "O maior desafio é levar esse excedente de energia das plantas industriais para as subestações."
Dias explica que as usinas já fazem um investimento pesado na produção de energia. A construção de linhas de transmissão que escoem essa produção é outro gasto pesado, já que depende da compra de terras para a instalação de torres de transmissão.
"Geralmente há especulação imobiliária em torno disso. Mas essa é uma questão que o governo e o setor tentam superar."
O bagaço de cana é considerado uma medida ecologicamente correta, pois gera energia sem poluir o meio ambiente, como ocorre com a maioria das termoelétricas convencionais, e com pouco impacto ambiental.

O Diário – Maringá, PR



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