Bioeletricidade

Setor sucroenergético registra 55 projetos para Leilão de Energia de Reserva

Friday, 07 de May de 2010

Setor sucroenergético registra 55 projetos para Leilão de Energia de Reserva

O setor sucroenergético participará com 55 projetos que utilizam o bagaço de cana-de-açúcar para produção de energia, em um leilão programado para o dia 18 de junho de 2010. O número de inscritos ficou acima das expectativas, principalmente em relação à potência instalada, na avaliação da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).
O bagaço de cana é um resíduo da produção de açúcar e etanol empregado na produção de vapor e energia elétrica nas usinas. Desde a década de 80, além de atender as necessidades de energia elétrica do setor, o bagaço tem permitido a geração de excedentes de energia que são fornecidos para a grade de distribuição.
"Neste leilão, chamado de Leilão de Energia de Reserva, considerando-se a potência instalada, o total de projetos de bioeletricidade atinge 3.518 MW, o que representa 24% do total da oferta cadastrada," informa Zilmar de Souza, assessor em bioeletricidade da Unica.
Ele explica que o total de projetos indica que o setor sucroenergético poderá contribuir para ampliar a segurança do sistema elétrico do País. "A produção de bioeletricidade funciona como uma forma complementar à energia hidrelétrica, justamente na época de poucas chuvas, quando os reservatórios de água diminuem. É aí que o bagaço de cana dá sua contribuição ao Sistema," afirma o executivo.
De acordo com o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), responsável pelo controle das instalações de geração e transmissão no sistema elétrico, cada mil MW médios de bioeletricidade inseridos no sistema Centro-Oeste/Sudeste equivalem a um aumento no nível dos reservatórios de água em 4%.
O cadastramento dos projetos de bioeletricidade para o Leilão de Energia de Reserva terminou no dia 26 de abril de 2010. Além de projetos de bioeletricidade, também foram cadastrados vários com base em fonte eólica e nas chamadas pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), além de outras fontes de biomassa. A fonte eólica foi a mais representativa, com 399 projetos inscritos e 10.569 MW de potência cadastrada. Já as PCHs somaram 18 projetos, que totalizam 255 MW.
Os projetos cadastrados que utilizam biomassa estão distribuídos em nove estados: São Paulo lidera com 32 projetos, totalizando 1.873 MW; Mato Grosso do Sul vem em segundo lugar, com sete projetos e 596 MW; Minas Gerais participa com seis, e 537 MW de potência instalada total.
Para Souza, o setor sucroenergético tem potencial para avançar ainda mais na composição da matriz energética do Brasil. Até a safra 2020/21, a Unica estima que mais de 13 mil MW médios de energia possam ser integrados ao Sistema, representando 14% do total de energia elétrica produzida no país, ou o equivalente a quase três vezes a energia que será gerada na Usina Belo Monte.
O assessor da Unica, contudo, faz uma ressalva: "Apesar de a oferta de bioeletricidade cadastrada no leilão do dia 18 de junho representar algo como 70% da capacidade instalada atualmente no setor sucroenergético, uma política setorial pública e privada para essa fonte será essencial para atingirmos a meta que almejamos, de 14% da matriz até 2021."

União da Indústria de Cana-de-Açúcar



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