Bioeletricidade

Geradores de bioeletricidade têm dificuldade de acesso à rede de distribuição

Saturday, 12 de November de 2011

Geradores de bioeletricidade têm dificuldade de acesso à rede de distribuição

Usinas que produzem bioletricidade com o bagaço da cana-de-açúcar enfrentam hoje grandes dificuldades para que esta energia chegue à redes nacional de distribuição. É o que aponta um estudo contratado pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) junto a Volga Consultoria, que foi apresentado em outubro deste ano à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Entre outros aspectos, o trabalho aponta uma demora excessiva no processo de conexão das usinas de processamento de cana à rede elétrica, além de custos elevados que ficam por conta das usinas em razão de uma série de fatores ligados à distribuição.

Atualmente, as empresas do setor sucroenergético que vendem seu excedente de energia para o setor elétrico, chamadas de cogeradoras, precisam negociar o uso das redes de transmissão junto às distribuidoras, que são as proprietárias dessas redes.

“O estudo mostra que há um problema entre quem vende a energia, o cogerador, e a distribuidora que disponibiliza a rede para o transporte dessa energia. O cogerador não tem o conhecimento necessário pra criticar ou questionar informações que são próprias do negócio da distribuição de energia, e este é o maior problema,” avalia Zilmar de Souza, gerente de Bioletricidade da Unica. “Até do ponto de vista regulatório, da Aneel, é preciso compreender que cogeradoras e distribuidores têm funções distintas, com dados e políticas de negócios diferentes uns dos outros,” acrescenta.

Souza lembra que um problema corriqueiro é a dificuldade para a compreensão de orientações da empresa de distribuição de energia no que diz respeito a aspectos técnicos, padrões do projeto e estudos solicitados. “Na prática, esta situação resulta na imposição de projetos muito sofisticados ao cogerador, que não domina todas as nuances e tecnicalidades,” explica o gerente da Unica. Ele lembra que outro obstáculo é a demora excessiva das distribuidoras para responder consultas, agendar reuniões e esclarecer dúvidas relacionadas ao processo de conexão da usina.

Foco definido

O foco do trabalho encomendado pela Unica foi diagnosticar os problemas na relação cogeradores-distribuidoras. O esforço demandou entrevistas e questionários respondidos por mais de 20 grupos econômicos do setor sucroenergético, responsáveis por 60% da bioeletricidade exportada ao chamado Sistema Elétrico Interligado Nacional.

Além de apresentar um diagnóstico, o estudo relaciona sugestões de aprimoramento no processo de conexão às redes por parte dos cogeradores. Sugere, por exemplo, criar uma Comissão Coordenadora de Acesso às Redes de Distribuição, que seria composta por representantes da Aneel e do Operador Nacional do Sistema (ONS). Caberia a este grupo acompanhar a negociação entre as usinas e distribuidoras, monitorando o cumprimento das responsabilidades e de prazos previstos na regulamentação.

“A Comissão seria um canal importantíssimo de diálogo entre estes dois mundos: usinas e distribuidoras. O que assistimos hoje, infelizmente, e o estudo mostra isto, é um processo travado e burocrático, o que leva a prejuízos financeiros e demora para a conexão das cogeradoras à rede elétrica,” conclui Souza.

Unica



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