Bioeletricidade

Bioeletricidade pode suprir 15% da demanda de energia do País até 2020

Monday, 19 de September de 2011

Em meio à crise nuclear mundial detonada pelas explosões na usina de Fukushima, no Japão, e às discordâncias sobre a ampliação das hidrelétricas com grandes impactos ambientais no Brasil, a bioeletricidade gerada a partir de resíduos dos canaviais pede passagem. A campanha é liderada pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), que incluiu a divulgação dos benefícios dessa fonte de energia no Projeto Agora, lançado em junho.

Atualmente, as usinas sucroenergéticas vendem 1,002 mil megawatts médios (ou 8,774 mil gigawatts-hora) em excedentes de eletricidade, o que equivale a pouco mais de 2% do consumo nacional. O crescimento da oferta desse serviço tem sido substancial: entre 2009 e 2010, houve uma elevação de 50% nas vendas. "Esse bom desempenho decorre de investimentos feitos dois anos antes. Quase 30 usinas participaram de um leilão de energia de reserva em 2008 e começaram a entregar no ano passado", explica Zilmar José de Souza, gerente de bioeletricidade da Unica.

Historicamente, a indústria utiliza o bagaço para a produção de energia, tanto térmica (já que o vapor é necessário para a fabricação de açúcar e etanol) quanto elétrica, para alimentar a atividade das usinas. Mas, em meados de 1980, o setor passou a entender a venda de excedentes de energia elétrica como negócio.

Segundo a Unica, com o aproveitamento do bagaço e da palha e a reforma das usinas existentes, o Brasil pode ter 15% de seu consumo de energia suprido pela bioeletricidade em 2020 - mesmo potencial que o de três usinas de Belo Monte. Hoje, há no país 432 processadoras de cana e apenas 129 exportam energia, ou seja, pouco mais de 30%.

As vantagens ambientais dessa alternativa são significativas, a exemplo da economia de 4% nos reservatórios de água das regiões Centro-Oeste e Sudeste, alcançada no ano passado. E, como essa energia é ofertada justamente no período de seca, é considerada complementar ao sistema hidrelétrico no país. Há ainda a redução das emissões de gases de efeito estufa. Cada megawatt-hora gerado pelo gás natural equivale a 400 quilos de gás carbônico (CO2) na atmosfera. Já a biomassa, por ser renovável, tem balanço nulo.

No entanto, a questão da conexão à rede é um dos desafios a ser enfrentados pelo setor. Mesmo o estado de São Paulo, que possui uma rede elétrica robusta, já está no limite. "Para qualquer nova usina que vá agregar oferta de energia, a rede também tem de ser reformada. Quem arca com esses gastos é a usina, e esse valor pode chegar a 30% dos investimentos", afirma Zilmar José de Souza.

Outro gargalo diz respeito aos leilões. Existem duas formas de se vender a bioeletricidade: no mercado livre, no qual se negocia direto com o consumidor livre (uma grande indústria, por exemplo); e no mercado regulado, em que a comercialização é feita por leilões do governo federal. Este último é o único que oferece contratos de longo prazo, mais atraentes para investidores, que buscam viabilidade e garantias para seus projetos, mas esses arremates são genéricos: a bioeletricidade participa juntamente com energia eólica e gás natural, que estão em diferentes condições regulatórias, de tecnologia e de custos. "Por isso a necessidade de redesenhar esse modelo, privilegiando leilões regionais. O maior centro consumidor do país está no Centro-Sul, onde também se encontra a maior fonte de biomassa: 90% da cana está nessa região", justifica o representante da Unica.

Globo Rural



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