Biocombustíveis

Paraná ganha laboratório de microalgas

Friday, 12 de November de 2010

Paraná ganha laboratório de microalgas

O Instituto Agronômico do Paraná inaugurou  em Londrina um laboratório exclusivo para pesquisar o potencial energético de microrganismos, dos quais se poderá extrair combustível de forma limpa e sustentável. O novo laboratório, fruto de um convênio firmado com a Copel no final de 2009, funcionará junto à sede do Instituto na cidade.
A conclusão do laboratório de microalgas elevará a uma nova etapa o trabalho de pesquisa, que foi iniciado há poucos meses. De acordo com a coordenadora da pesquisa pelo Iapar, a doutora em microbiologia Diva Andrade, os resultados obtidos até agora são promissores. "As primeiras informações indicam a viabilidade do cultivo comercial de microalgas no Paraná", afirma.
A equipe coordenada por Diva já isolou mais de 70 exemplares de microalgas encontradas na região de Londrina e vem realizando testes para determinar os ambientes e nutrientes mais adequados para o cultivo dos microrganismos.
O objetivo é identificar microalgas que tenham crescimento rápido e grande concentração de lipídios e ácidos graxos, que possam ser extraídos e utilizados como óleo combustível. As amostras são colhidas em lagoas eutrofizadas, ou seja, com excesso de nutrientes e baixo nível de oxigênio. Antes de irem para os tanques do novo laboratório, elas são cultivadas em pequena escala, crescendo em bandejas abertas ou em fotobiorreatores - tubos fechados que permitem maior controle das condições de temperatura e evitam a contaminação por outros microrganismos.
Para reduzir os custos de produção e beneficiar o meio ambiente, está sendo testado o uso de resíduos suínos como fonte de nutriente para as microalgas, que também consomem o gás carbônico no processo de fotossíntese. A coordenadora adianta que, em breve, também será experimentado o uso de resíduos vegetais na pesquisa. "Além de ser uma fonte renovável de óleo e outros co-produtos, a microalga ainda permite a geração de crédito ambiental, pois utiliza água salobra e gás carbônico para se desenvolver", explica.
Os resultados do estudo foram apresentados à Sociedade Brasileira de Microbiologia em um congresso internacional realizado em setembro. A pesquisa também já gerou a publicação de artigos elaborados por estudantes de iniciação científica que participam do projeto. Na avaliação do diretor técnico do Iapar, Arnaldo Colozzi Filho, a formação de novos profissionais na área é importante não apenas para o projeto atual, mas visando à possibilidade de ampliar as linhas de pesquisa relacionadas ao assunto. "Para diversificar nossa matriz energética, é preciso aproveitar as oportunidades não apenas na geração de biodiesel, mas de todos os co-produtos", avalia.
As microalgas são organismos microscópicos que fazem fotossíntese, o que resulta na produção de oxigênio, lipídios (óleos), carboidratos (açúcares), proteínas e fibras, em diferentes quantidades, em cada uma das milhares de espécies encontradas na natureza.
A produção de biocombustível por meio das microalgas, além de ecologicamente correta, tem um potencial muito maior do que as culturas tradicionais de oleaginosas. As microalgas têm potencial para produção de 70 toneladas de biomassa (de onde é extraído o biocombustível) por hectare/ano, enquanto a soja produz em média apenas 3 toneladas de biomassa por hectare/ano. A colheita é realizada através da filtragem da água, resultando numa massa que é secada e depois prensada para, então, se extrair o óleo.



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