Biocombustíveis

Unica cogita recorrer à OMC para evitar medidas contra exportação de etanol

Tuesday, 02 de November de 2010

Unica cogita recorrer à OMC para evitar medidas contra exportação de etanol

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) poderá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) a fim de garantir a exportação de etanol para os Estados Unidos e para os países da Europa. O presidente da única, Marcos Jank, disse que regras para importação de biocombustíveis desses países podem diminuir o potencial de comercialização do álcool brasileiro em nações desenvolvidas.
Jank destacou que cálculos de sustentabilidade adotados nos EUA e em estudos na Europa responsabilizam indiretamente o setor sucroalcooleiro pelo desmatamento de biomas brasileiros. Baseados neles, europeus e norte-americanos poderiam criar barreiras ao etanol alegando que seu consumo é responsável por alto índice de emissões de gases causadores do efeito estufa, como o dióxido de carbono.
Ele afirmou, entretanto, que 99% da produção de cana-de-açúcar do país é feita em áreas que já eram usadas para a agricultura ou pecuária. Por isso, é injusta a afirmação de que o etanol tem efeito indireto sobre o desmatamento ou de que ele tem um alto índice de emissão de gases de efeito estufa. Dados da Unica mostram, inclusive, que a queima do etanol de cana-de-açúcar emite 90% menos gases do que a da gasolina. "A gente tem que se defender", afirmou Jank, depois de participar de um seminário sobre a agricultura e carbono. "Esperamos que as regras (para exportação) sejam compatíveis. Se não forem, nós vamos entrar na OMC".
Em evento promovido pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foram debatidas as formas de medir a emissão dos gases causadores de efeito estufa pela agricultura. O vice-presidente do Conselho Internacional de Políticas de Comércio de Bens Agrícolas (IPC, na sigla em inglês), Marcelo Regunaga, destacou que o setor agrícola também precisa colaborar para a redução da emissão dos gases. Disse que a agricultura, atualmente, tem que ser qualificada, também, por sua responsabilidade no aquecimento global. "Não podemos mais analisar a produção de comida só por suas calorias e proteínas. As emissões também são importantes", afirmou.
O secretário executivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Gerardo Fontelles, ratificou os argumentos de Regunaga e disse que o governo está comprometido em reduzir as emissões também na atividade rural. De acordo com ele, o programa Agricultura de Baixo Carbono (ABC) prevê a diminuição de cerca de 38% das emissões do setor até 2020. A agricultura responde atualmente por 19% das emissões de gases de efeito estufa do país.

Agência Brasil



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