Biocombustíveis

Usar etanol em vez de gasolina reduz emissão de nanopartículas, diz estudo

Monday, 31 de July de 2017

Usar etanol em vez de gasolina reduz emissão de nanopartículas, diz estudo

Um estudo em São Paulo mostrou que usar etanol nos carros ajuda a proteger a saúde das pessoas.

Na hora de abastecer, o motorista que tem carro flex quase sempre se decide entre etanol e gasolina com base no preço.

“A a gasolina tá R$ 1 mais cara do que o álcool e o carro é flex, então estou indo pelo mais barato”, diz a biomédica Lucia Cabral.

“Eu faço um comparativo e vejo se está dentro da diferença em que compensa colocar álcool ou gasolina e abasteço dessa maneira” conta o empresário Sidney Famelli.

Mas como os dois combustíveis são diferentes, o motorista também está decidindo, mesmo sem perceber, o tipo e a quantidade de poluentes que seu carro irá jogar na atmosfera. São vários poluentes. Um deles, pouco conhecido, invisível e particularmente perigoso é a nanopartícula.

“Essa nanopartícula consegue entrar no aparelho respiratório humano, nos alvéolos, nos bronquíolos e consegue fazer uma troca sanguínea também, entrar na corrente sanguínea por ser extremamente pequena, aumentando a incidência de doenças respiratórias e cardiovasculares”, explica a professora Maria de Fátima Andrade.

Pela primeira vez, cientistas conseguiram relacionar as nanoparticulas com o uso do etanol e da gasolina.

São Paulo foi o laboratório dessa pesquisa por causa da grande quantidade de carros flex na cidade. É que, por causa do preço, em determinados períodos, muitos motoristas preferem o etanol, e em outros períodos a gasolina. Aproveitando essas duas situações, os cientistas puderam medir com precisão a quantidade de nanopartículas produzida pelo etanol e a quantidade produzida pela gasolina. O resultado é impactante.

Os pesquisadores constataram um aumento de 30% de concentração de nanopartículas no ar de São Paulo quando os motoristas usam mais gasolina do que etanol. O estudo revelou também a concentração de nanopartículas na atmosfera da maior cidade do país.

“Se a gente fizer uma comparação com um ambiente limpo, totalmente limpo, como é a Antártica, lá se mede da ordem de cem a 200 partículas por centímetro cúbico. Nós estamos medindo, aqui e agora, 15 mil partículas por centímetro cúbico”, afirma o físico e técnico do Instituto de Física da USP Fernando Morais.

É fundamental reduzir esses números, diz em entrevista via internet, um dos autores do trabalho, que está em Harvard, nos Estados Unidos.

“Esses dados novos mostram que é muito importante que o governo brasileiro dê maior apoio aos biocombustíveis pois a queima de etanol, além de reduzir a emissão de gás de efeito estufa, também reduz a concentração de nanopartículas na atmosfera, que tem um dano muito forte sobre a saúde da população”, diz o professor do Instituto de Física da USP Paulo Artaxo.

O Ministério de Minas e Energia informou que trabalha para expandir a produção de vários tipos de biocombustíveis e diminuir a emissão de gás carbônico de todos os combustíveis vendidos no Brasil.

Segundo o médico patologista, professor Paulo Saldiva, a acumulação de poluentes, a ardência nos olhos, o enfraquecimento das defesas pulmonares, o aumento da taxa de mortalidade por doenças cardiovasculares são alguns dos riscos apresentados pelo tempo seco, que atinge a cidade de São Paulo há mais de 40 dias



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