Biocombustíveis

BNDES trava R$ 5,8 bi para obra de etanolduto

Tuesday, 24 de March de 2015

A Construtora Camargo Corrêa prepara a sua saída da Logum Logística, empresa responsável pela construção do alcoolduto de 850 quilômetros que atravessa quatro Estados brasileiros e requer mais de R$ 7 bilhões em investimentos. A decisão ocorre no momento em que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) trava o financiamento de R$ 5,8 bilhões para a empresa continuar a obra.

Um dos principais motivos para o banco protelar a liberação do empréstimo é o fato de a Logum ter entre seus sócios três empresas investigadas na Operação Lava Jato: Petrobrás, que detém 20% de participação, a Odebrecht, que tem outros 20%, e a própria Construtora Camargo Corrêa, com 10%. Os outros sócios do empreendimento são Copersucar, Raízen (do grupo Cosan) e Uniduto Logística, que reúne usinas de açúcar e álcool.

Outro ponto que atraiu a atenção sobre a Logum foi o fato de que há até pouco tempo o seu presidente era Roberto Gonçalves, ex-integrante de uma equipe que se reportava ao ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, delator na Lava Jato. A Logum está sendo submetida a uma auditoria interna, nos moldes do que é feito hoje na Petrobrás. A conclusão está prevista para ser entregue aos sócios nesta semana.

Os potenciais clientes do setor de açúcar e álcool vivem uma das maiores crises de sua história e pouco têm a transportar pela parte dos dutos que já está pronta. No começo do ano passado, os dutos que saíam de Ribeirão Preto até o polo petroquímico de Paulínia tinham apenas 10% de sua capacidade de transporte sendo utilizada.

Ao ser concebida, a rede de dutos para o transporte do combustível à base de cana-de-açúcar gerou uma polêmica semântica. Não se sabia ao certo se deveria ser chamada de alcoolduto, duto de etanol ou dutovia. Ninguém nunca questionou, porém, a sua importância para tornar o preço final do produto mais competitivo. À medida que novas usinas eram construídas no interior do Brasil, cada vez mais longe dos maiores centros urbanos e dos portos, esta seria a alternativa mais inteligente e barata para escoar a produção, Estima-se que o transporte por uma dutovia seja um terço do custo do da rodovia.

OESP



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