Biocombustíveis

Aumento da mistura de etanol à gasolina beneficia setor sucroenergético

Friday, 20 de March de 2015

Aumento da mistura de etanol à gasolina beneficia setor sucroenergético

A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) avalia como positiva a decisão do Governo Federal de aumentar o percentual de etanol anidro na gasolina, de 25% para 27%. “Após mais de um ano de discussões e intenso trabalho para chegar a essa decisão, o aumento da mistura de etanol traz benefícios ao setor e mostra que o governo enxerga que etanol é importante dentro da matriz energética”, diz Elizabeth Farina, presidente da entidade.

A nova mistura passa a valer a partir de 16 de março, um mês depois do acordado inicialmente. O resultado dos testes feitos pelo Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (Cenpes) da Petrobras sobre o impacto da mudança nos motores movidos à gasolina apontou que a nova mistura não compromete o desempenho, o consumo e nem o desgaste das peças dos veículos.

O aumento da mistura deve elevar a demanda por anidro em torno de 1 bilhão de litros. O setor sucroenergético, que passa pela maior crise de sua história, está preparado para atender a esse aumento da mistura de etanol à gasolina. Os atuais níveis de estoque e a capacidade de produção instalada nas unidades produtoras oferecem total conforto para o atendimento dessa nova demanda de consumo.

O etanol anidro é regulado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP), estimula a contratação entre produtores e distribuidoras, dando segurança total ao abastecimento e traz regularidade na oferta e regularidade no caixa das empresas.

Aumento do etanol na gasolina não atingirá o combustível tipo premium

O aumento do percentual do etanol na gasolina de 25% para 27% não vai valer para a gasolina premium, informou hoje (4) o ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga. A mudança no percentual, assinada hoje (4), e que começa a valer no próximo dia 16, ocorrerá apenas em dois tipos de gasolina (comum e aditivada), após negociação entre governo, representantes de fabricantes de veículos automotivos e do setor de petróleo nos últimos meses. Segundo o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Luiz Moan, durante as discussões, a entidade manifestou preocupação com os veículos movidos exclusivamente a gasolina, e, por isso, pediu que a mudança não se estendesse ao tipo premium. “Os testes de durabilidade ainda estão sendo realizados pela Anfavea. Por isso, nós insistimos bastante que a gasolina premium não sofresse nenhuma alteração na sua formulação, de forma que o consumidor tenha uma alternativa de abastecimento para os veículos movidos exclusivamente a gasolina”, ressaltou.

Após participar de reunião no Palácio do Planalto, onde foi assinada a resolução sobre o aumento, o ministro Eduardo Braga disse que a medida não se refletirá no preço da gasolina. “Não haverá impacto para o consumidor. Manteremos o preço de bomba”, declarou. Segundo ele, o setor tem estoques estratégicos de álcool suficientes para suprir a demanda. De acordo com a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Kátia Abreu, a mudança vai requerer 1 bilhão de litros de etanol anualmente. De acordo com a presidenta da União da Indústria de Cana-de-Açúcar, Elizabeth Farina, a produção atual de etanol hidratado é de 12 bilhões de litros por ano. Com a mudança, aumentaria para 13 bilhões anuais.

“Como as usinas já estavam esperando isso, elas fizeram um estoque suficiente para atender a todas contratações que já tinham feito, e mais esse aumento. Então, é uma coisa absolutamente factível”, disse Elizabeth. Segundo ela, os testes de consumo, emissão e durabilidade não apresentaram grandes diferenças estatísticas com a mudança. Discutida deste o segundo semestre do ano passado, a mudança deveria ter sido definida no início de fevereiro. Para o ministro de Minas e Energia, o atraso ocorreu devido aos estudos que estavam sendo feitos, que resultaram em uma “absoluta tranquilidade para o consumidor” quanto à qualidade dos motores. “O adiamento é fruto da segurança que o governo queria ter, com nenhum risco ao rendimento e durabilidade dos motores e ciclomotores com aumento da participação etanol”.

Unica e Agência Brasil



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