Biocombustíveis

Crise do setor leva usinas de etanol a fechar

Wednesday, 26 de February de 2014

A possível saída de empresas de grande porte do setor de etanol ajuda a entender a dimensão da crise pela qual passa o setor sucroenergético brasileiro. De acordo com a Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), três grupos empresariais que atuam no Estado estão prestes a deixar o negócio. Só em Minas, seis usinas já fecharam as portas nos últimos cinco anos. Em todo o Brasil, já foram 44 no período. Em 2014, outras 12, em péssimas condições financeiras, poderão encerrar as atividades.

Um caso emblemático é o da Odebrecht Agroindustrial, criada em 2007 como braço energético do conglomerado baiano Odebrecht, e atuante no Mato Grosso, em São Paulo e em Goiás. Segundo reportagem publicada na revista "Exame", a empresa já consumiu cerca de R$ 10 bilhões na construção e expansão de usinas de etanol pelo país. Apenas na última safra, de acordo com a matéria, o prejuízo acumulado já é de R$ 1,2 bilhão. Além da ameaça de cortar os investimentos de R$ 3 bilhões, previstos para os próximos três anos, o grupo tenta transferir algumas dessas operações do setor de etanol para outros negócios do conglomerado, a fim de evitar que os maus resultados contaminem o desempenho global da Odebrecht.

O presidente executivo da Siamig, Mário Campos, diz que, em Minas Gerais, a situação foi agravada pela falta de chuva dos últimos meses. "No ano passado, tivemos uma safra recorde de 61 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Estado, mas, neste ano, esperamos um desempenho menor".

Apesar dos impactos na produção, Campos diz que o problema do setor não é a dificuldade de produzir, mas a falta de competitividade. "O atual governo excluiu o setor de etanol da sua política energética", reclama. Segundo ele, as intervenções do governo na Petrobras, que subsidiou o preço da gasolina e o manteve artificialmente baixo, impediram que o etanol conquistasse mercado.

As eleições para presidente e governadores trazem para o setor a oportunidade de levar a pauta para a campanha política. "No âmbito federal temos um fórum energético, em Brasília, que reúne todas as entidades do setor e que está elaborando uma pauta de reivindicações", diz Campos. No âmbito estadual, ele diz que a Siamig já está elaborando uma pauta de reivindicações que será apresentada aos candidatos que vão disputar o governo do Estado.

Entre as principais reivindicações do setor no país estão a volta da Cide, o chamado imposto da gasolina - "para deixar o etanol mais competitivo", segundo Campos -, o aumento dos atuais 25% para 27,5% do percentual de etanol anidro na gasolina, e uma redução nos percentuais cobrados de ICMS pelos Estados.

Desde 2009, o fechamento das 44 usinas de etanol no Brasil resultou na demissão de 30 mil trabalhadores. No país, o setor gera 1,15 milhão de empregos formais.

UDOP



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