Biocombustíveis

Joint venture São Martinho-Amyris cria nova indústria em SP

Sunday, 18 de April de 2010

Joint venture São Martinho-Amyris cria nova indústria em SP

A parceria da empresa Amyris Biotechnologies com o grupo São Martinho é um marco histórico para o setor sucroenergético, na opinião de Alfred Szwarc, consultor de emissões e tecnologia da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). “O acordo possibilita ampliar o portfólio de derivados da cana-de-açúcar e trabalhar com maior valor agregado para diversos produtos premium,” afirma. A criação da joint venture, finalizada na quarta-feira (14/04), confirma a produção de especialidades químicas a partir do caldo de cana-de-acúcar.
Segundo a versão definitiva do acordo de joint venture, o grupo Sao Martinho continuará proprietário da usina de etanol Boa Vista (Goiás), não vai mais vender 40% desta usina à Amyris, conforme estabelecia o acordo inicial. As duas empresas estabeleceram uma joint venture segundo a qual cada uma será proprietário de 50% de uma futura indústria química a ser construída junto à unidade de Pradópolis da Usina São Marinho, no Estado de São Paulo. Com investimentos de US$ 35 milhões e capacidade de moagem de 8,5 milhões de toneladas, a unidade será batizada de SMA Indústria Química S.A. A construção da nova fábrica terá início no segundo semestre deste ano. Ela entrará em operação na safra 2012/2013 e iniciará a produção em 2012.
A São Martinho será a primeira usina no mundo a produzir produtos químicos a partir de cana em larga escala. “Dentre as diversas possibilidades que a nova tecnologia oferece é extremamente relevante a perspectiva de produção do querosene de aviação derivado da cana,” explica Szwarc. “Trata-se de um fabuloso avanço tecnológico, pois o setor aeronáutico vem há anos tentando encontrar um combustível renovável que seja compatível com turbinas de aviação, seja comercialmente custo-efetivo e possibilite a mitigação de gases de efeito estufa, e isso deve ser possível em futuro próximo,” conclui.
Além do diesel renovável, a parceria possibilitará a produção de químicos renováveis para uma variedade de bens de consumo e aplicações industriais que hoje dependem de componentes petroquímicos, entre eles lubrificantes, polímeros, preservativos e cosméticos. No início, a joint venture irá produzir “farneseno”, químico de alto valor agregado utilizado principalmente na indústria cosmética. Para cada tonelada de cana processada, são produzidos 50 litros de farneseno.

Com informações da Unica e da agência Dow Jones



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