Biocombustíveis

GSB divulga resolução para a América Latina

Friday, 02 de April de 2010

GSB divulga resolução para a América Latina

Os membros da convenção latino-americana do projeto Global Sustainable Bionergy (GSB), realizada na sede da FAPESP, entre os dias 23 e 25 de março, divulgaram nesta segunda-feira (29/3) a resolução elaborada como resultado do encontro.

O documento destaca que o continente latino-americano tem potencial para suprir as demandas locais e mundiais de biocombustíveis sem comprometer a sua produção agrícola e o seu ecossistema.

A resolução aponta que a produção de biocombustível da América Latina também tem se revelado uma oportunidade para o desenvolvimento econômico e social do continente ao se apoiar em três pilares: população, planeta e lucros.

São citados pelo documento dois casos de desenvolvimento econômico e ambiental sustentável já realizados no continente: a produção argentina de biodiesel e o etanol brasileiro oriundo da cana-de-açúcar.

O biocombustível brasileiro contempla, de acordo com o documento, os objetivos traçados pelo GSB, uma vez que o etanol já substitui 30% da gasolina consumida no país e representa 16% do suprimento total de energia primária brasileira, a ponto de se configurar a segunda fonte mais importante de energia do país à frente da hidroeletricidade e das fontes tradicionais de biomassa.

“O Brasil tem uma posição muito especial – tanto no grupo envolvido com o Projeto GSB como no mundo – no debate internacional sobre biocombustíveis, já que é o único país que realizou a substituição em larga escala da gasolina por biocombustíveis”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP e membro do comitê de organização do GSB.

De acordo com a resolução, o clima favorável, a disponibilidade de terras e a diversidade das matérias-primas disponíveis são fatores que favorecem a expansão continental dos biocombustíveis de maneira sustentável. O documento também ressalta a criação de postos de trabalho no campo para atuar nessa indústria.

As novas tecnologias motivadas pelo desenvolvimento da bioenergia poderão guiar, segundo o texto, políticas públicas voltadas à sustentabilidade e ainda promover um diálogo entre ciência, governo e sociedade.

Segundo o presidente do comitê diretor do Projeto GSB, Lee Lynd, professor de biologia do Dartmouth College (Estados Unidos), os estudos realizados até o momento deixam claro que a cana-de-açúcar – cuja produção para bioenergia é dominada pelo Brasil – é o melhor dos insumos de primeira geração disponíveis para uso em biocombustíveis. “A cana-de-açúcar é também claramente competitiva em termos econômicos”, disse.

A primeira convenção do GSB ocorreu em fevereiro na cidade de Delft, na Holanda. A segunda foi realizada entre os dias 17 e 19 de março em Stellenbosch, na África do Sul. Após a convenção latino-americana realizada na FAPESP, estão programados ainda dois encontros: em junho na Universidade Tecnológica da Malásia, na cidade de Skudai, e em setembro, nos Estados Unidos, na Universidade de Minneapolis.

“Em seguida, na segunda fase, vamos organizar o projeto de pesquisa propriamente dito, que fundamentará o oferecimento de respostas para o desafio inicial levantado pelo projeto GSB, a respeito da possibilidade de substituição de 25% da energia que move o transporte no mundo por biocombustíveis sem prejudicar o meio ambiente, a sociedade e a produção de alimentos”, explicou Brito Cruz.


Resolução aprovada na Convenção Latino-Americana sobre Biocombustíveis Sustentáveis

A América Latina produz bioenergia de formas que satisfazem o critério de sustentabilidade muito melhor do que muitas senão todas as alternativas energéticas atualmente disponíveis. A região tem potencial para expandir a geração de bioenergia sem comprometer a produção de alimentos, o meio ambiente e a biodiversidade. A realização desse potencial requererá determinação e diligência na criação de conhecimento e em sua aplicação e regulação. A América Latina está pronta para trabalhar com a comunidade global para entender e aperfeiçoar ainda mais os sistemas de bioenergia e ampliar a aplicação dos mesmos de modos que atendam as prementes necessidades humanas.

A América Latina demonstrou potencial para desempenhar um importante papel no fornecimento de biocombustíveis tanto para a demanda local quanto mundial. A produção de biocombustíveis começou como matéria de segurança energética e progrediu rumo a uma indústria sustentável e lucrativa. A América Latina vê o assunto como uma oportunidade para o desenvolvimento econômico e social baseado em três pilares: povo, planeta e proveito. Existe diversidade local de matérias-primas e, presentemente, a cana-de-açúcar é percebida como a principal matéria-prima para a produção sustentável de etanol. Recursos em terras estão disponíveis sem comprometer a segurança alimentar e os ecossistemas.

A América Latina desenvolveu um modelo de biorrefinaria com sistemas crescentemente integrados de cultivos de matérias-primas agrícolas, coprodutos e ampla redução de emissão de gases de efeito estufa. Existem, no mínimo, dois casos bem-sucedidos em que a bioenergia se mostrou sustentável e possibilitou o desenvolvimento. São eles a produção de biodiesel na Argentina e de etanol de cana-de-açúcar no Brasil. O caso brasileiro é notável e relevante para os objetivos do Global Sustainable Bioenergy Project (GSB): 16% do suprimento energético primário total do país vêm da cana-de-açúcar e o etanol de cana-de-açúcar substitui mais de 30% da gasolina, fazendo da cana-de-açúcar a segunda fonte de energia mais importante do país, atrás do petróleo e à frente da hidroeletricidade e da biomassa tradicional. Existe legislação estabelecida, e crescentemente efetiva, que estabelece um zoneamento agroecológico ambientalmente sólido.

A América Latina possui terras, clima favorável, diversidade de opções de matérias-primas e tecnologia que foram estabelecidas regionalmente e podem ser expandidas continentalmente de forma sustentável. A indústria de biocombustíveis é vista como uma oportunidade para o desenvolvimento rural e a criação de empregos. O desenvolvimento de novas tecnologias pode ser um vetor para ampliar a consciência pública sobre temas de sustentabilidade, promovendo novos estilos de vida e um diálogo entre ciência, governo e sociedade.

O apoio governamental é necessário para normatizar políticas comuns, como as certificações de sustentabilidade e de composição. Tecnologias de conversão econômica precisam ser desenvolvidas para responder à diversidade de matérias-primas, escalas e outras circunstâncias locais.

Uma agenda para a pesquisa e o desenvolvimento de recursos humanos é necessária em face de uma realidade social e tecnológica em mudança – mais especificamente, novas tecnologias para aperfeiçoar cada elo da cadeia produtiva, a produção flexível de coprodutos complementares e ampla sustentabilidade. A redução das barreiras comerciais e o desenvolvimento de padrões internacionais de certificação levariam à emergência de um mercado aberto, com benefícios para a região e o mundo.


Agência Fapesp, Fábio Reynol



Marcadores: bioenergia, cana-de-açúcar, cana, biocombusatíveis, biomassa, renováveis