Biocombustíveis

Canaviais terão mais recursos, prevê Rabobank

Monday, 02 de July de 2012

Canaviais terão mais recursos, prevê Rabobank

O setor sucroalcooleiro do país, abalado pelas últimas crises financeiras globais, terá capital suficiente para investir em seu crescimento, sustenta o banco de investimentos Rabobank.

A instituição de origem holandesa pondera que o acesso aos recursos será seletivo. "Os bancos têm de estar preparados para ver além dos tempos difíceis", disse Ton van Nimwegen, da divisão brasileira do Rabobank, em conferência em Londres. Ele alertou para o fato de que o segmento canavieiro continua volátil e cíclico, mas acrescentou que "no longo prazo, o Brasil pode ser muito competitivo".

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar. Entretanto, os produtores lutam para se recuperar da queda na produção em 2011/12 e lidar com os custos de produção crescentes, o real valorizado e os problemas climáticos. Segundo van Nimwegen, as instituições bancárias estão interessadas em trabalhar com clientes que têm boa gestão de riscos, estruturas de governança e modelos sustentáveis.

O Rabobank financia companhias de açúcar e etanol no Brasil. Seus empréstimos ao segmento somam US$ 1,8 bilhão, que representam 40% da carteira de crédito do banco no país.

Por outro lado, os produtores de etanol esperam uma definição mais clara sobre o setor para retomar os investimentos, afirmou o presidente interino da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio Padua Rodrigues. Segundo ele, existe insegurança sobre qual será o papel do produto na política nacional.

"Todos estão aguardando uma sinalização para a retomada dos investimentos", disse à Agência Estado. "Quem deve definir as políticas para a alta da competitividade e rentabilidade é o governo."

Padua lembrou que, entre 2004 e 2010, havia fatores que não deixavam dúvidas sobre a atratividade do setor, como o desenvolvimento da frota de veículos flex, a expectativa do uso do etanol pelo mundo e a condição remuneradora dos preços. A crise financeira global de 2008 mudou as condições do setor e derrubou os investimentos. "Hoje, não temos novos financiamentos por insegurança dos empresários", disse.

Segundo o executivo, uma das dúvidas existentes é se outros Estados seguirão o exemplo de São Paulo (em 2004) e reduzirão o ICMS sobre o etanol. "Tirando São Paulo, o consumidor paga mais tributos no etanol no que na gasolina."



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