Biocombustíveis

Novo sistema monitora consumo de água e energia em prédios públicos

Saturday, 15 de October de 2011

Pesquisadores da empresa fluminense Eneltec estão desenvolvendo um sistema de monitoramento do consumo de água e energia elétrica em prédios públicos, com tecnologia nacional, que promete facilitar bastante a vida do responsável pela administração do local.

Doutor em Engenheira Elétrica e um dos sócios da Eneltec, Rodrigo Martins Fernandes explica que os sistemas disponíveis atualmente no mercado utilizam equipamento para medição e comunicação com um servidor de banco de dados e páginas na internet ou intranet, onde os dados são armazenados, processados e disponibilizados.

"Para interpretar estes dados e realizar a manutenção do equipamento, o gestor do edifício precisa contar com a consultoria de um profissional especializado em Tecnologia da Informação (TI) ou então terceirizar um serviço para interpretar os dados e fazer a manutenção do equipamento", afirma Fernandes.

Além da dependência do profissional, o custo mensal torna-se elevado. "Já o nosso sistema dispensa a contratação de um profissional especializado", acrescenta. Desenvolvido com apoio do edital Prioridade Rio, o protótipo está em fase de teste e deve estar no mercado em um ano.

A ideia foi criar um medidor simples e fácil para que qualquer usuário, sem grandes conhecimentos técnicos, possa utilizá-lo. O produto será composto de um software instalado em um chip eletrônico. Cada chip será colocado num quadro de energia ou de medição de água diferente. "Eles se comunicarão por meio da rede sem fio (wireless), pelos fios da rede elétrica ou por cabos USB", explica Fernandes. O usuário, então, criará uma conta gratuita no site de buscas Google, pela qual poderá acessar uma plataforma onde estarão disponibilizados gráficos com os dados relativos ao consumo de água e energia elétrica. "Por esta plataforma ele poderá fazer o acompanhamento em tempo real, ao longo do dia ou mesmos em intervalos de cinco minutos", acrescenta. Os gráficos também serão compatíveis com diferentes plataformas gratuitas de armazenamento de dados já disponíveis na internet.

Nos próximos cinco anos, o Rio de Janeiro será sede dos maiores eventos esportivos do planeta: a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Os prédios que serão ocupados por empreendimentos ligados a estes eventos terão que receber a certificação Leed (Leadership in Energy and Environmental Design – selo de maior reconhecimento internacional e mais utilizado no Brasil e no mundo para certificação e orientação ambiental de edificações).

"Popularmente conhecido como selo verde, o Leed é dado a construções que funcionam com modos de economia ou redução do consumo de água e energia elétricas", explica Fernandes. "Daí a necessidade de criarmos formas mais simples e baratas para facilitar este monitoramento", complementa. Desligamento automático de aparelhos de ar-condicionado, sensores de calor ou de movimento e torneiras que ligam com sensor de calor são alguns dos recursos utilizados para redução do consumo de energia.

No Brasil, a promoção de tecnologias, iniciativas e operações sustentáveis no ramo da construção civil é realizada pelo Green Building Council Brasil (GBCB, que pode ser traduzido como Conselho Brasileiro de Construções Verdes). O GBCB é um dos 21 membros do World Green Building Council, entidade internacional que regula e incentiva a criação de conselhos nacionais como forma de promover mundialmente tecnologias, iniciativas e operações sustentáveis na construção civil. Segundo informações do GBCB, as construções com certificação Leed no país têm crescido bastante nos últimos sete anos.

"Atualmente, o Brasil é o quarto país no ranking mundial de construções verdes com 36 prédios certificados e 313 em processo de certificação, atrás apenas dos Estados Unidos, Emirados Árabes Unidos e China", destaca Fernandes.

O Edifício Cidade Nova, sede da Universidade Petrobras, responsável pelas soluções educacionais corporativas voltadas aos empregados da estatal e situado na região central do Rio de Janeiro, foi o primeiro prédio a obter o certificado Leed da cidade, em outubro de 2008. O edifício traz redução de consumo de energia, menos emissão de gás carbônico e menores custos de manutenção, além de ter gerado, durante a construção, um menor volume de entulho.

Para Rodrigo Fernandes, exemplos como estes contribuem para redução dos impactos ambientais. "Poucos sabem, mas com atitudes como essa precisaremos construir menos usinas hidrelétricas. Com isso, haveria maior preservação dos recursos naturais", conclui Fernandes.  O engenheiro espera que até o próximo ano o novo sistema de monitoramento do consumo esteja inteiramente pronto para ser implantado num edifício verde.

Faperj



Marcadores: energia, consumo, sustentabilidade