Biocombustíveis

Fapesp e ETH firmam acordo para pesquisas em bioenergia

Monday, 26 de September de 2011

Fapesp e ETH firmam acordo para pesquisas em bioenergia

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo - FAPESP, e a ETH Bioenergia, empresa que atua na produção de etanol, açúcar e energia a partir da biomassa de cana-de-açúcar, assinaram em 26 de setembro um Acordo de Cooperação para Desenvolvimento de Pesquisa Científica e Tecnológica. O objetivo é o de desenvolver pesquisas nas áreas de plantio, colheita e processamento de cana-de-açúcar e seus derivados em cooperação entre pesquisadores de universidades e instituições de pesquisa, públicas e privadas, do Estado de São Paulo e da empresa.

Os temas de interesse da empresa e que serão estudados por meio do convênio envolvem as áreas de automação agrícola (sistemas inteligentes e simuladores de processos agrícolas) para agricultura de precisão; manejo de variedades de cana; melhoria da fermentação com ganhos em produtividade; recuperação e uso de subprodutos e resíduos; e desenvolvimento de biomassas de ciclo curto para complementar a cana.

O aporte financeiro inicial para viabilizar os projetos aprovados será de R$ 10 milhões, sendo que cada parte irá desembolsar R$ 5 milhões. As propostas serão selecionadas em comum acordo pela ETH e a FAPESP, por meio de um comitê. Os recursos serão desembolsados conforme aprovação de cronograma.

Segundo Carlos Eduardo Calmanovici, responsável por Inovação e Tecnologia da ETH, o objetivo da parceria é o de que os institutos de pesquisa do Estado de São Paulo apresentem projetos que envolvam oportunidades tecnológicas na área de biomassa que estejam dentro do foco de interesse da ETH. "Esperamos aprimorar os processos já existentes de uso dos açúcares da cana. Também desenvolver outros produtos que agreguem mais valor à cana e seus derivados para atender futuras demandas das indústrias química, farmacêutica e alimentícia", afirmou.

Calmanovici explica que a intenção é de que dois terços dos recursos sejam investidos em pesquisa e desenvolvimento na área agrícola e o terço restante, na área industrial. No foco de interesse da empresa estão, por exemplo, o manejo de novas variedades de cana e melhoria das máquinas agrícolas. "Como a ETH está entrando em regiões de fronteira no plantio de cana, é natural que se queira desenvolver variedades mais adaptadas à região", explicou. "Pelo fato de a ETH ter 100% de sua colheita mecanizada também se faz necessário buscar máquinas mais eficientes, que consigam realizar o trabalho com o mínimo de perdas e sem recolhimento de impurezas."

Também estão entre os interesses de pesquisa da ETH o desenvolvimento de biomassas de ciclo curto para que sejam plantadas na entressafra da cana, como o sorgo e o capim elefante. Dos R$ 20 milhões que serão investidos no convênio, que tem duração de 5 anos, cada parceiro desembolsará R$ 10 milhões. Hoje foi aberta a primeira chamada para que projetos sejam apresentados. Nesta primeira chamada, R$ 10 milhões serão investidos nos projetos selecionados por um comitê escolhido pela ETH e pela Fapesp.

"A cooperação entre pesquisadores de universidades e instituições de pesquisa e da empresa para pesquisa nas áreas previstas no acordo entre a Fapesp e a ETH procura aumentar o nível de conhecimento sobre a agricultura e o processamento da cana", diz Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fapesp.

Controlada pela Odebrecht, a ETH Bioenergia atua na produção e comercialização de etanol, energia elétrica e açúcar. Com investimento total de R$ 8 bilhões, a ETH tem como objetivo ser a líder em bioenergia com a produção de 3 bilhões de litros de etanol e 2.700 Gwh/ano de energia elétrica a partir da cana-de-açúcar em 2012. Consolida cinco polos produtivos, localizados nos estados de São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), uma das mais importantes agências de fomento à Ciência e Tecnologia do Brasil, é mantida pela transferência de 1% das receitas tributárias do Estado de São Paulo.



Marcadores: cana-de-açúcar, cana, etanol, biomassa, biocombustíveis, bioeletricidade