Biocombustíveis

Aumentar a produtividade da cana sem expandir área plantada

Saturday, 24 de September de 2011

Aumentar a produtividade da cana sem expandir área plantada

Aumentar a produtividade da cana-de-açúcar sem que haja a necessidade de expandir a área plantada. Esse é objetivo da pesquisa “Preliminary assessment of the incidence of brown rust in bi-parental progeny sugarcane through EST-SSR markers”, que está sendo desenvolvida no Laboratório de Genética Molecular e na área agrícola experimental do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).
O estudo é realizado pelo biotecnólogo Thiago Balsalobre, com a orientação de Anete Pereira de Souza, do Instituto de Bilogia da Unicamp, e co-orientação de Monalisa Sampaio Carneiro, do Departamento de Biotecnologia e Produção Vegetal e Animal (DBV) do CCA.
O trabalho visa o estudo da localização de genes da cana-de-açucar resistentes à doença ferrugem marrom e que tenham alta produtividade. Com isso, a intenção final da pesquisa é projetar resultados favoráveis ao desenvolvimento sustentável, já que com o plantio de cana-de-açúcar, ao mesmo tempo resistente e de alta produtividade, o espaço de produção será bem menor devido a sua eficácia.
"No Brasil, em 1992, por conta da doença do fungo estima-se que o prejuízo na produção tenha chegado a 8,74% e as perdas a 107 milhões de dólares" justifica Balsalobre. Segundo o biotecnólogo, os programas de melhoramento genético convencionais da cana-de-açúcar levam de 12 a 15 anos para alcançar uma nova variedade de cana. "Com a seleção de novas variedades esse tempo possivelmente será diminuído" afirma Balsalobre.
O processo pelo qual é desenvolvido este trabalho é a "Seleção Assistida por marcadores", que escolhe, por meio de técnicas específicas, os melhores clones de cana ainda na fase jovem da planta. A partir dessa seleção reduz-se o tempo de trabalho no campo para o lançamento de variedades mais produtivas. Balsalobre afirma que o Brasil é uma referência quando se trata do campo da bioenergia oriunda da cana-de-açúcar e essas pesquisas, além de ampliar a produtividade, diminuem a quantidade de insumos.
As pesquisas de campo do trabalho de Balsalobre estão sendo desenvolvidas no Centro de Ciências Agrárias (CCA) do campus Araras da UFSCar e na empresa Raízen, em Ipaussu (SP). As análises laboratoriais são realizadas no Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG) da Unicamp e no Laboratório de Genética Molecular (LAGEM) da UFSCar.
Os resultados preliminares da pesquisa mostraram que um gene de efeito maior é o responsável pelo controle de resistência a ferrugem marrom em cana-de-açúcar. A doença é provocada pelo fungo Puccinia melanocephala e ocorre na parte foliar diminuindo a área fotossintética e interferindo diretamente na produtividade da planta.
O estudo de Balsalobre foi premiado na 1ª Brazilian BioEnergy Science and Technology Conference (BBEST), que aconteceu entre os dias 14 e 18 de agosto, em Campos do Jordão (SP).
A próxima etapa do trabalho já foi iniciada e vai conferir a consistência dos resultados obtidos em diferentes anos agrícolas, avaliar a produtividade dos clones e saturar a região genômica com mais marcadores moleculares. Os resultados preliminares poderão ser apresentados na XX Conferência Internacional sobre Pesquisa do Genoma de Plantas e Animais, considerada o evento mais importante do mundo neste ramo.

Universidade Federal de São Carlos



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