Biocombustíveis

EUA anunciam US$ 105 milhões para primeira usina de etanol celulósico

Wednesday, 20 de July de 2011

O Departamento de Energia dos Estados Unidos está oferecendo um empréstimo de US$ 105 milhões (R$ 165 milhões) para a construção da primeira usina de etanol celulósico em escala comercial do país, que deve iniciar operações em 2013 e produzir 95 milhões de litros de combustível por ano.
O anúncio da garantia de empréstimo para a Poet LLC, a maior produtora de etanol do mundo, foi feito no dia 7 de julho de 2011 pelo secretário Steven Chu. A empresa norte-americana estima que o projeto da planta na cidade de Emmetsburg, no Estado de Iowa, deva gerar cerca de 200 empregos na etapa de construção e outras 40 vagas permanentes na usina. O custo total do projeto é de cerca de US$ 250 milhões (R$ 393 milhões).
O processo de produção do etanol de segunda geração utilizará cascas, folhas e espigas de milho como matéria-prima, fornecidas por propriedades agrícolas da região. O futuro crescimento da produção desse tipo de álcool - considerado combustível avançado pelo governo dos EUA - permitirá a diminuição do uso de grãos comestíveis para a fabricação de biocombustíveis. A meta da empresa é reproduzir posteriormente o novo sistema de fabricação de etanol celulósico em todas as suas 27 usinas, segundo comunicado divulgado à imprensa pela Poet.
"O financiamento tem sido um dos maiores desafios para o escalonamento do etanol celulósico e a oferta de uma garantia de empréstimo do escritório de programas de financiamento do Departamento de Energia nos põe um passo mais próximo da produção comercial", disse o CEO e presidente do conselho de administração da Poet, Jeff Broin, no informe. Segundo Broin, há mais de um milhão de toneladas de biomassa disponíveis anualmente nos EUA para a produção de etanol de segunda geração, o que seria suficiente para substituir a importação de petróleo.
Antes mesmo do anúncio dos recursos, ainda em 2010, a Poet começou a preparar uma área de 90 mil metros quadrados para armazenagem dos fardos de biomassa. De acordo com a empresa, no ano passado 85 fazendeiros das imediações de Emmetsburg entregaram para a Poet 56 mil toneladas de biomassa. Quando a nova usina entrar em operação, a matéria-prima disponível deverá chegar a 300 mil toneladas anuais, segundo o cronograma da Poet.

Hidrólise enzimática

Batizado de projeto Liberty, a construção da usina de produção de etanol celulósico da Poet será baseada no processo de hidrólise enzimática para converter biomassa em etanol com enzimas da empresa dinamarquesa Novozymes. Além disso, a planta industrial deverá produzir biogás, em biodigestores alimentados pelos resíduos da produção do etanol, em quantidades suficientes para suprir a demanda energética da nova unidade e da refinaria adjacente de produção de etanol convencional a partir dos grãos de milho, informa a companhia.
A companhia afirma ter gasto mais de US$ 40 milhões na última década para viabilizar a produção comercial do etanol celulósico, o que inclui a pesquisa em laboratório e a operação de uma planta-piloto na cidade de Scotland (Dakota do Sul). "Parcerias com universidades, governo e indústria também exerceram um papel fundamental ao tornar o processo ao mesmo tempo renovável e lucrativo", explicou a Poet.
Em reportagem publicada em 6 de julho de 2011, o jornal The New York Times informou que a planta-piloto da Poet, em operação desde 2008, converte uma tonelada de resíduos de milho diariamente em 300 litros de etanol celulósico. Em entrevista ao jornal norte-americano, o presidente da Poet, Jeff Lautt, declarou que essa unidade produz o biocombustível a US$ 2,50 a US$ 3 o galão, o equivalente a US$ 0,66 a US$ 0,79 o litro.
Esse custo ainda é pelo menos US$ 0,50 superior ao preço por galão do etanol convencional produzido com milho. "Nossa meta final é ser competitivo com o etanol de milho e a gasolina", explicou Lautt. Em longo prazo, a empresa pretende licenciar a sua tecnologia para outros produtores de etanol e adaptar o processo para o uso em outros tipos de biomassa.

Menor dependência do petróleo

Ao fazer o anúncio do compromisso de empréstimo, o secretário Steven Chu ressaltou que os investimentos do governo Barack Obama na nova geração de biocombustíveis estão sendo "bem-sucedidos". "Esse projeto ajudará a diminuir nossa dependência de petróleo, a criar empregos e a auxiliar nossa transição para uma energia limpa e renovável, que é produzida no nosso próprio país", afirmou Chu. "As inovações utilizadas nesse projeto são outro exemplo de como nós estamos aproveitando a oportunidade para criar novas oportunidades econômicas de maneira a conquistar um futuro de energia limpa."

Alta no consumo das usinas

Pela primeira vez na história, as usinas convencionais de etanol norte-americanas estão consumindo mais milho do que a produção pecuária, que utiliza o cereal como ração, informou o jornal britânico Financial Times em 12 de julho de 2011. O aumento da demanda pelos grãos reflete em parte o impacto da política de subsídios aos produtores de etanol convencional.
O Departamento de Agricultura dos EUA prevê que, no ano que se encerra em 31 de agosto, os produtores de etanol terão consumido 5,05 bilhões de bushels de milho (128 milhões de toneladas), enquanto o uso para ração e a demanda residual consumirão 5 bilhões de bushels (127 milhões de toneladas).
A notícia reforça o argumento de críticos que relacionam a elevação recente no preço dos alimentos ao aumento na produção de biocombustíveis. Em junho de 2011, líderes do G-20 divergiram sobre a adoção de um posicionamento contrário à produção de biocombustíveis, em razão da inflação no setor de alimentos, depois da pressão dos EUA e do Brasil --- os dois maiores produtores mundiais de etanol. O Banco Mundial divulgou um estudo mostrando que os preços globais de alimentos, em março de 2011, estavam 36% acima dos preços do mesmo mês do ano anterior, com destaque para a alta de 74% do milho.
No início de julho de 2011, os senadores dos EUA alcançaram um acordo para acabar com os subsídios e a tarifa de importação do etanol no fim do mesmo mês, o que poderia beneficiar as exportações brasileiras do álcool de cana-de-açúcar. A proposta ainda precisa ser votada no Senado, depois ser apreciada pela Câmara e finalmente sancionada pelo presidente Barack Obama. O acordo foi considerado como "fundamental" para a indústria sucroenergética do Brasil, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). Em junho, o Senado já havia aprovado uma proposta similar em primeira votação.

Inovação Unicamp



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