Biocombustíveis

Investimentos globais em Energia Verde aumentaram 32%

Sunday, 10 de July de 2011

Investimentos globais em Energia Verde aumentaram 32%

O setor das energias renováveis recebeu em 2010, no mundo todo, investimentos no valor de US$ 211 bilhões, 32% a mais que em 2009 e 540 % acima dos de 2004. Esses dados estão no relatório anual Tendências Globais de Investimentos em Energias Renováveis de 2011, publicado e divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA). A América Latina foi em 2010 a segunda região do mundo que mais investiu no setor das energias renováveis, com aumento de 39% com relação ao ano anterior, segundo o relatório.

No ano passado, um recorde de 211 bilhões de dólares foram investidos em energias renováveis — cerca de um terço a mais do que os 160 bilhões investidos em 2009, representando um aumento de 540% em relação a 2004.

Pela primeira vez, economias em desenvolvimento ultrapassaram economias desenvolvidas em termos de "novos investimentos financeiros" — gastaram em projetos de energia renovável e proveram capital para empresas do setor. No capítulo Novos Investimentos Financeiros, os países em desenvolvimento destinaram US$ 72 bilhões, US$ 2 bilhões a mais que os países desenvolvidos, o que contrasta com 2004, quando novos investimentos financeiros em países em desenvolvimento somavam apenas um quarto dos investimentos em países desenvolvidos.

A China foi a líder mundial em novos investimentos financeiros em energias renováveis em 2010, com 48,9 bilhões de dólares — cerca de 28%. A América Latina foi em 2010 a segunda região do mundo que mais investiu no setor das energias renováveis, com aumento de 39% com relação ao ano anterior, segundo o relatório.

Outras partes do mundo emergente também mostraram forte crescimento: Oriente Médio e África: 104%, com US$5 bilhões; Índia: 25%, com US$3.8 bilhões; países em desenvolvimento da Ásia (exceto China e Índia): 31%, com US$4 bilhões.

Outra evolução positiva destacada no relatório, com implicações a longo prazo em progressos em energia limpa, foi de investimentos em pesquisa por parte do governo. Essa categoria de investimento subiu mais de 120%, significando US$ 5 bilhões.

O relatório mostra ainda que quedas de custos de tecnologias de energia solar, eólica e outras estão por vir, o que representa uma ameaça crescente para o atual cenário de domínio das fontes de combustíveis fósseis.

O Subsecretário Geral da ONU e Diretor Executivo do PNUMA, Achim Steiner, declarou que "o crescimento contínuo deste segmento fundamental da Economia Verde não está acontecendo por acaso. A combinação formada pela definição de objetivos, apoio à políticas e fundos de estímulo sustentam a ascensão da indústria renovável e trazem a tão necessária transformação do nosso sistema global de energia.'

"A reunião da Convenção da ONU sobre o Clima, a realizar-se em Durban no final deste ano, e a Rio +20, a realizar-se no Brasil em 2012, oferecem oportunidades únicas para acelerar e ampliar essa transição positiva para uma economia verde de baixa emissão de carbono e de eficiência no uso de recursos, no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza ", acrescentou.

América Latina renovável

Na América Latina, o Brasil, o México, o Chile e a Argentina foram os líderes em investimentos de energias renováveis.

O Brasil foi o principal investidor da região, já que empregou US$ 7 bilhões. Porém, paradoxalmente o número foi 5% inferior ao de 2009. O relatório assinala que a queda de 2010 - que apontou uma baixa contínua em 2009 de 44% - foi consequência da "consolidação do setor de biocombustíveis brasileiro que está em grande medida fragmentado".
"Não foi por falta de interesse, simplesmente ficou concentrado em fusões e aquisições que não são contabilizadas como novos fundos para esse setor", acrescentou o relatório. cA consolidação do mercado brasileiro vai continuar nos próximos anos porque ainda tem 220 empresas no mercado de etanol, embora apenas 10 tenham capacidade para gerar mais de 10 milhões de toneladas do combustível.

No México os investimentos aumentaram 348% em 2010, até chegar a US$ 2,32 bilhões, principalmente em energia eólica, mas também em geotérmica, devido à decisão das autoridades mexicanas de aumentar a capacidade das energias renováveis do atual 3,3% ao 7,5% para 2012. O grande filão desta política é a energia eólica porque os planos do Governo mexicano assinalam que 4,3% da energia total do país terão que ser originadas em fazendas de vento. Em 2010, o México financiou 988 megawatts de potência de energia eólica.

No Chile, onde o objetivo é providenciar para que 10% da energia seja renovável até 2025, os investimentos totalizaram US$ 960 milhões, um aumento de 21% comparado a 2009.

Da mesma forma, a Argentina estabeleceu para 2016 que 8% do setor energético proceda de fontes renováveis o que significou em 2010 a multiplicação por sete até chegar a US$ 740 milhões.

Já no Peru, o Governo fixou que 5% será proveniente de energias renováveis até 2013. No ano passado, os investimentos chegaram a US$ 480 milhões - mais que o dobro em 2009 - destinados principalmente a pequenas centrais hidroelétricas e a plantas de etanol e biomassa.

PNUMA



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