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Esmagamento de soja em usina favorece produção de biodesel

Monday, 28 de March de 2011

Esmagamento de soja em usina favorece produção de biodesel Pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, examinou a viabilidade da indústria de biodiesel na região sudeste do estado do Mato Grosso (MT), confrontando os principais tipos de plantas de produção a partir de óleo de soja.

O trabalho do engenheiro agrônomo Pedro Sarmento avaliou quais variáveis têm maior impacto na rentabilidade das plantas de biodiesel e o efeito do financiamento sobre a viabilidade desses empreendimentos. Ao mesmo tempo, verificou-se a importância da incorporação da etapa do esmagamento no processamento do biodiesel e foi observada a precificação do produto ao lado da necessidade ou não de subsídio para sua produção e consumo.

Foram visitadas duas plantas industriais de produção de biodiesel no MT. A primeira possui toda infraestrutura para recepção, armazenagem, esmagamento da matéria prima selecionada e produção do biocombustível.

A segunda não processa a etapa de esmagamento, ou seja, apenas recebe o óleo e produz o biocombustível. A análise fora desenvolvida sob dois pontos de vista.

"Sob a ótica do setor privado examinamos a rentabilidade do projeto sob as condições econômicas e financeiras em vigor, incluindo possíveis subsídios creditícios e fiscais", conta Sarmento. "Do ponto de vista social, observamos o preço dos insumos e produtos vinculados ao preço de mercado internacional", explica.

Os resultados mostraram que a etapa de esmagamento para a produção de biodiesel a partir de óleo de soja é vital, uma vez que permite que vários subprodutos sejam obtidos, entre estes o farelo, o óleo e a casca de soja, diminuindo o risco da operação com apenas um produto. "Aquelas usinas que compram o óleo de soja para produzir o biodiesel estão sujeitas a um risco elevado de preço deste produto e necessitam de matérias primas alternativas como o óleo de algodão e a gordura animal para que suas margens se tornem positivas", aponta o engenheiro agrônomo.

A segunda usina, sem a etapa de esmagamento, não apresentou viabilidade econômica no presente estudo principalmente pelo alto custo do óleo de soja na região. Do ponto de vista privado, o atual nível de subsídio fornecido pelo governo federal somente garante a viabilidade da primeira usina, com esmagamento. A segunda, sem esmagamento, necessitaria de outras matérias primas ou de maiores somas para se viabilizar.

Do ponto de vista social, utilizando o custo de oportunidade dos produtos, nenhuma das usinas traz benefícios para a sociedade, os dois projetos são inviáveis. Apesar disso, a segunda usina é mais interessante socialmente quando comparada a primeira, além do subsídio necessário para viabilizá-la ser bem menor.

Na atualidade dois fatores condicionam os rumos da área energética brasileira e mundial. O primeiro é a incerteza da oferta de petróleo e seus derivados, o que condiciona o preço desses produtos. O segundo é a crescente a preocupação ambiental. "Esses fatores resultaram na busca por diferentes alternativas de fonte energética, configurando uma tendência futura em economizar combustíveis fósseis e desenvolver as formas renováveis de energia, entre as quais os bicombustíveis apresentam-se como alternativa importante", diz Sarmento.

"Sugerimos que novos estudos abordando as alternativas de matérias primas para o biodiesel sejam realizados, levando em consideração os aspectos ambientais e distributivos desse processo", acrescenta o autor do trabalho. "Ressalta-se também a importância dos estudos de viabilidade econômica que, apesar de sua simplicidade, não são estudos triviais e contribuem fortemente para que os investidores conheçam as especificidades de cada projeto e tomem a melhor decisão".

Sarmento defendeu seu mestrado no Programa de Pós-graduação em Economia Aplicada da Esalq. O trabalho foi orientado pelo professor Geraldo Sant’Ana de Camargo Barros, do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES).

Pedro Sarmento é engenheiro agrônomo, formado pela Universidade Federal de Goiás (UFG)

Marcadores: biocombustíveis, biodiesel, soja, sustentatiblidade