Artigos

A imagem do etanol - Maurílio Biagi Filho

Sunday, 31 de January de 2010

A imagem do etanol - Maurílio Biagi Filho Uma das maiores dificuldades que o agronegócio de modo geral e em especial o setor sucroenergético enfrenta é a falta de uma comunicação mais ampla e eficaz com a sociedade. É preciso acolher a enorme diversidade de discursos existentes no âmbito desse setor para que, de forma mais efetiva e, ao mesmo tempo, simplificada, seja possível formar a opinião pública, nacional e internacional, a respeito de seu funcionamento e as vantagens que podem ser alcançadas com o uso de um produto alternativo e renovável como o etanol, o álcool combustível.

Se as negociações internacionais sobre o clima foram tímidas e egoístas durante a COP-15 na Dinamarca, em dezembro, precisamos deixar claro, tanto no Brasil quanto no exterior, que nossa solução funciona há 30 anos, tendo verdadeiramente participado para mitigar os problemas ecológicos.

Desde o início do Proálcool, no fim da década de 1970, 600 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) deixaram de ser emitidas. Não podemos agora economizar ações para atingir a grande guerra da ignorância e irresponsabilidade humana com o planeta. Não é de hoje que a comunicação preocupa com a busca de iniciativas que pudessem esclarecer melhor a opinião pública sobre o setor. No fim da década de 1990, com a desregulamentação do programa do álcool combustível, insisti na publicação de cartilhas sobre mitos e verdades com o objetivo de criar um canal de informação entre a sociedade e os empresários, que viviam momentos difíceis, quando o preço da saca de açúcar chegou a R$ 7 e o etanol caiu para R$ 0,14 o litro. Implementamos, também, o “Correio Elegante”, criado para possibilitar maior diálogo entre os produtores e representantes do setor sucroenergético.

Com o olhar sobre aquela época, concluímos hoje que o surgimento de mitos e falta de esclarecimentos sobre o setor são praticamente os mesmos, apesar de já existirem ações de comunicação mais consistentes nesse sentido, como o projeto de Comunicação Agora, lançado em 2009, e que conta com a participação de todos os sindicatos do Centro-Sul e empresas fornecedores. Ele tem o objetivo de fornecer informações corretas nacionalmente e mundialmente sobre as energias limpas, renováveis e sustentáveis de origem agrícola, como o etanol, a bioeletricidade, os bioplásticos, os hidrocarbonetos de origem agrícola, entre outros.

Existe hoje, portanto, um grande esforço dos sindicatos, capitaneado pela maior associação no país de São Paulo, a União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica), para construir uma imagem mais positiva do setor e especialmente do etanol, ligado a seu incontestável benefício ao meio ambiente. Precisamos, porém, caminhar muito para aumentar o orçamento do setor em torno de R$ 4 milhões dirigido à comunicação, principalmente, se pensarmos que a indústria do petróleo e derivados aplica mais de R$ 500 milhões por ano.

A iniciativa de relembrar os esforços da comunicação na década de 1990 é no sentido de não apenas aprender com o passado, mas reavaliar o presente para que possamos traçar metas ambiciosas para o futuro. É preciso que o trabalho que vem sendo feito atualmente seja abraçado por todos os empresários e a cadeia produtiva, para que possamos vencer o grande desafio da comunicação e reconhecimento da sua importância no mundo moderno.

Maurílio Biagi Filho é empresário e conselheiro da Associação das Indústrias de Açúcar e Álcool de Minas Gerais(AIAA)

Artigo publicado no jornal Estado de Minas em 15/01/2010

Marcadores: etanol, bioetanol, cana de acucar, cana, cana de açucar, cana-de-açúcar, renováveis